O CORCUNDA DE NOTRE DAME

3 de abril de 2006




Victor Hugo, um dos mais representativos autores e poetas da literatura francesa de alcance internacional (igualando-se, ao meu ver, somente a Voltaire) tem em “O Corcunda de Notre Dame”* seu primeiro romance publicado (ano de 1831), o qual se tornou um clássico mundial.
Nessa obra, Victor Hugo nos apresenta algumas das mais contundentes questões (e “milenares”) para humanidade: a dificuldade em conviver - e aceitar - as diferenças (sejam elas quais forem) e as desenfreadas ambições humanas para se conseguir aquilo que se quer. Embora o personagem ‘Quasímodo’ (o corcunda) seja a maior representação da dificuldade para aceitar “alguém ou algo” muito diferente, Victor Hugo nos mostra muitas outras no decorrer dessa leitura (onde – pelo menos nessa obra, especificamente - tal constatação é muito mais pungente no livro, do que em suas adaptações cinematográficas, que, diga-se de passagem, foram muitas, inclusive infantil, embora o escopo da história não o seja).
Na cidade de Paris, meados do século XV, na torre da catedral gótica mais famosa de toda Europa, vive Quasímodo** (que significa “domingo de pascoela”, isto é, “o domingo após a páscoa”), o sineiro da catedral. Um homem de feições deformadas, membros detorcidos, porém sensível às manifestações da beleza em todas as suas nuances. Alguém que sofre (muito) por sua imposta solidão.
Quasímodo é um ser taciturno, que almeja “sair para o mundo”, ainda que este mundo seja o entorno da catedral de Notre Dame, onde se realizam diversas festividades. Ele foi adotado, ainda criança, por Frollo, arcediago*** da catedral de Notre Dame. Um homem que por detrás de seu pseudo-moralismo e seriedade, possui uma personalidade vil, déspota e possessiva (um típico representante da “santa inquisição”). Um homem com plenos poderes sobre a cidade e a sociedade em que vive…alguém que, cobrando eternamente a “bondade de ter adotado Quasímodo (segundo ele, quando até sua própria mãe o rejeitou…será?!) e tendo-o criado na escuridão da torre de notre dame”, faz do corcunda seu escravo, além de (tentar) destruir sua personalidade, igualando-o sempre a um monstro.
Durante uma das festividades nos arredores de notre dame (as quais Quasímodo sempre assiste do alto da torre) ocorre um pequeno distúrbio.Observando as ocorrências, Quasímodo vê uma linda mulher envolvida na confusão…uma beleza, diferente,radiante. Alguém que com sua simples presença, lhe deu coragem… a mulher estava sendo presa, acusada de criminosa, sendo machucada. E Quasímodo, pela PRIMEIRA VEZ, em toda a sua vida, sai da catedral para salvar aquela que, ele descobre depois, chama-se Esmeralda. O povo vê a “criatura” que nunca tinha visto antes…e reage de forma animalesca. Quasímodo consegue, a princípio, salvar Esmeralda…completamente encantado por ela. Esmeralda, por sua vez, se encanta e se ressente pela situação imposta a Quasímodo. Afinal, eles são muito similares: sozinhos e considerados “marginais” pela sociedade (ele pela aparência, e ela por ser cigana, povo altamente repudiado pelo clero da época). Apesar da atitude heróica de Quasímodo, Esmeralda é presa novamente. Na prisão, é torturada por um homem que se sente atraído sexualmente por ela: o arcediago Frollo. Ele a tortura e a machuca, pois em sua “mente doentia”, ela é a representação de satã ao despertar tais sentimentos e desejos num ‘homem santo’ como ele…nesse ínterim, um nobre cavalheiro francês (tido como herói de guerra) chega à cidade. Conhece Quasímodo, se apaixona por Esmeralda e compra uma verdadeira guerra com Frollo, o “todo poderoso” local.
Daí por diante, com uma maestria única, Victor Hugo nos apresenta a uma infinidade de personagens, situações, emoções e sentimentos que nos fazem rir, chorar e nos emocionar. A “queda do herói” (quando Quasímodo conhece a verdadeira “face” de Frollo”), a manipulação pela religião de toda uma sociedade, o preconceito, a luxúria, o ódio e a paixão, permeiam essa grande história, dita fantasiosa (mas que em outros aspectos, ocorre até os dias de hoje). Trágica - sim, de certa forma - mas, acima de tudo, uma bela lição sobre coragem, luta e amor. Um livro, literalmente, fantástico!

*Originalmente a obra chamava-se “Nossa Senhora de Paris” (Notre Dame de Paris)
**Após a publicação do romance de Victor Hugo, “Quasímodo” também possui a semântica de “indivíduo quasimodesco,monstrengo”. NA
***Eclesiástico investido pelo bispo de certos poderes de jurisdição da diocese. Na Igreja medieval, dignatário das sés que secundava o bispo nos ofícios junto com o chantre e o diácono.

Serviços: HUGO, Victor. O Corcunda de Notre Dame.

CEM ANOS DE SOLIDÃO

30 de março de 2006




O que dizer de um livro que dizem ser a melhor novela espanhola depois de Don Quixote? Eu, um mero mortal jamais irei ousar denegrir a imagem de um ser como Gabriel Garcia Marquez. Esplendido, primoroso, magnifico, lindo, a poesia em fabula. Márquez realmente mereceu o nobel de literatura. Li apenas dois livros seus, mas vejo que este homem é um escritor que não deve ser esquecido jamais. So tenho elogios para com este autor.
Ele nos leva a um mundo soberbo, onde “o tempo não passa, ele gira em circulos”, como dizia Ursula.
Neste conto miraculoso de Gabriel, temos mortos que vivem, chuva de flores amarelas, borboletas que dizem quando alguem irá aparecer, temos o conhecimento do esbanjamento, guerras, chacinas, esquecimentos de uma populaçao toda, temos o final da estirpe de um familia que de acordo com o velho cigano Melquiades so poderia ter passado pela Terra, apenas por cem anos de solidao, onde o primeiro dos Buendia morre debaixo de um castanheiro e o ultimo morre comido por formigas carnivoras.
Márquez me mostrou como um mundo das fabulas é bonito e tao ficticio que as vezes nos faz querer migrar para esta terra longiqua que este grande “conto de fadas”.
Não posso relatar partes do livro, porque esta familia dos Buendias nos atrapalha com seus nomes sempre iguais e com estorias de que depois de lido o livro não sabemos quem é quem e se realmente todos não são apenas um…
Realmente não tenho o que falar, só posso elogiar, faltam-me palavras para relatar tamanha grandeza passada para mim nesta poesia de Gabriel Garcia Márquez.
Fica aqui dito que a pessoa que morre sem conhecer a “poesia fabulosa” Gabriel Garcia Márquez merece voltar à vida para le-lô.

Serviços: MÁRQUEZ, Gabriel Garcia. Cem Anos de Solidão. Editora Record.

O HOBBIT

23 de março de 2006




Recentemente milhões de pessoas em todo o mundo puderam acompanhar uma das mais fantásticas aventuras já escritas, falo de O Senhor dos Anéis, a obra máxima de J. R. R. Tolkien e que foi transformada em uma das mais lucrativas trilogias do cinema pela visão extraordinária do diretor Peter Jackson.
Isso, é claro, não é nenhuma novidade, só que nem todas as pessoas que assistiram aos filmes sabem que antes de incrível jornada de Frodo e Cia., uma aventura igualmente mágica aconteceu antes e que está totalmente ligada aos fatos que se desenrolaram na trama da telona. O livro, O Hobbit, é na verdade o início da confusão criada pelo Um Anel, o objeto maldito mais desejado da Terra Média. Para quem não está antenado com a história vai aí um breve resumo: o Senhor do Escuro, Sauron, criou dezenove anéis de poder e os dividiu entre as principais raças da terra, Homens, Anões e Elfos, só que em segredo ele forjou um vigésimo anel para controlar os outros e assim ele poder dominar todos os povos. Só que durante uma batalha o anel foi arrancado dele com dedo e tudo e Sauron perdeu sua força, Isildur, o guerreiro responsável pelo feito podia ter destruído o Um Anel, mas foi vencido por seu poder, é que o Um Anel corrompe todo aquele que o possui, assim, Isildur some com o Um Anel e durante uma emboscada ele cai em um lago e lá fica esquecido.
Apesar de O Hobbit não girar em torno da figura do anel, as histórias se cruzam. O Hobbit narra as aventuras de Bilbo Bolseiro, uma criatura que como diz o título do livro pertence a raça dos Hobbits ou pequeninos, como são chamados. Essas criaturas são pacíficas e se limitam a festas, comida e descanso, uma vida tranqüila e sem emoções, no caso de Bilbo, a coisa muda quando ele conhece o mago Gandalf que chega a sua casa e organiza sem sua permissão uma pequena reunião com um grupo de anões zangados e resmungões. Apesar das tentativas de Bilbo de tentar se livrar do grupo, acaba se envolvendo e fazendo algo que nenhum outro hobbit já havia feito, sair em uma expedição.
A missão do grupo é roubar um tesouro que é guardado nada mais nada menos que por um grande e perigoso dragão, isso mesmo, um dragão. Logicamente que essa não é a idéia de diversão para Bilbo e ell não consegue entender porque Gandalf faz tanta questão que ele se envolva, os motivos do mago só ficam claros conforme a história vai se desenrolando e até o próprio Bilbo acaba por se surpreender com sua esperteza e habilidade de ladrão.
Bem ao estilo dos livros que viraram filmes, O Hobbit está ambientado na Terra Média e é povoado por criaturas fantásticas, que vão desde Águias Gigantes até os perigosos e temidos Trolls, com certeza é uma leitura envolvente e apaixonante. Quando escreveu o livro, Tolkien não visava alcançar tanto sucesso com o público adulto, já que o livro foi escrito para seus filhos, ou seja, uma obra infanto-juvenil, mas o sucesso foi imediato e vendeu milhões de cópias. Ah, ia esquecendo, sobre o quê o Hobbit tem a ver com a história do Um Anel, acho que só lendo para entender, experimente caminhar por corredores escuros na mais profunda das cavernas, na mais sombria das montanhas e talvez, se conseguir responder as adivinhas, você entenda, se não, é melhor correr ou pode acabar virando comida de orc. Boa leitura.

Serviços: TOLKIEN, J. R. R. O Hobbit “The Hobbit”. [Tradução: Lenita M. R. Esteves e Almiro Piseta. Revisão Técnica: Ronald Eduard Kyrmse]. São Paulo, Editora Martins Fontes.

MAIS J. R. R. TOLKIEN NO LITERATURA FANTÁSTICA:
ROVERANDOM

O PARQUE DOS DINOSSAUROS

16 de março de 2006



Michael Critchton é o responsável pelo livro que deu origem a um dos filmes mais divertidos e importantes para o cinema entretenimento na década de 90. A adaptação de Steven Spilberg a seu “Parque dos Dinossauros” revolucionou os efeitos especiais no cinema, mostrando ser possível trazer de volta a vida criaturas extintas a milhões de anos e nunca vistas pelo homem.
Em “Jurassic Park”, um excêntrico milionário consegue investimentos para criar o maior e mais espetacular parque temático do mundo em uma pequena ilha situada na América Central. Tendo o tema do parque guardado a sete chaves para evitar qualquer tipo de espionagem industrial, o parque começa a levantar suspeitas.
A vésperas de sua inauguração e abertura ao público, alguns cientistas, liderados pelo paleontólogo Alan Grant e o matemático especialista na controversa teoria do Caos, Malcom, são convidados a conhecer o parque e referendar o seu funcionamento. Além do seleto grupo, os netos do dono do parque também são levados para conhecer o local. O problema, é que será que o parque realmente seguro? Como conter animais que não se tem quase nenhum conhecimento?
“O Parque dos Dinossauros” é uma das mais divertidas e eletrizantes histórias da última década e que serviu de base para todos os filmes já lançados até o momento (seqüências do livro estão presentes nos três filmes da série).

Imperdível!!!

Serviços: CRICHTON, Michael. O Parque dos Dinossauros “Jurassic Park”. [Tradução: Celso Nogueira]. SP, 1991. Editora Nova Cultural.

FOGO FRIO

10 de março de 2006



O que você faria se descobrisse que possui poderes que te dariam a capacidade de evitar trágicos destinos de pessoas que você nem conhece? Jim Ironheart possui uma única resposta: Ajudar.
Mas a principal questão é, de onde vem esses poderes? Seriam eles algum tipo de manifestação paranormal, uma espécie de premonição? Ou seria tudo isso uma parte de algo muito maior, envolvendo a própria e misteriosa figura de Deus?
E o que, então, teria a ver com isso os insistentes sonhos e pesadelos envolvendo um antigo moinho e o trágico, mas obscuro, passado de Jim?
Esses e outros mistérios são o que Jim e sua nova amiga Holly Thorne tem que descobrir, antes que seja tarde demais e o inimigo apareça.
Essas respostas você obterá apenas ao ler esse sensacional suspense do mestre Dean R. Koontz, mesmo autor dos aclamados “Fantasmas” e “O Esconderijo”.

Serviços: KOONTZ, Dean R. Fogo Frio “Cold Fire”. [Tradução: Geni Hirata]. RJ, 1993. Editora Record.