A REVOLUÇÃO DOS BICHOS

9 de maio de 2006




A revolução acontece na Granja do Solar, que mais tarde virá a se tornar Granja dos Bichos. Major, um porco de doze anos, sonhara como todos os bichos poderiam sair da escravatura imposta pelos humanos, seus donos, para serem livres. Diz ele que tem que se fazer uma revolução e ser posta em prática o Animalismo, uma analogia ao Comunismo.
Onde todos os bichos irão trabalhar para si próprios e que não precisariam serem escravos nunca mais dos seres humanos. Major morre, Bola-de-Neve e Napoleão, dois porcos que ficaram por cuidar das idéias do Major, põem em prática a idéia do Animalismo.
Certo dia, os donos da Granja ficaram sem alimentar os animais e estes se revoltaram e tentaram invadir o depósito onde os alimentos se encontravam. Mas Jones e seus ajudantes viram a invasão dos animais e saíram a chicoteá-los. Os animais foram à luta e quando eles menos esperavam conseguiram colocar os donos, Jones e sua mulher, para fora da Granja do Solar.
Começa então uma nova vida para os bichos. Todos irão para o campo trabalhar, o trabalho será dividido igualmente, e o fruto deste trabalho também. Os porcos, os únicos que sabiam ler e eram tidos como os animais inteligentes da Granja, ficaram responsáveis pela organização da nova comunidade. Tudo vai correndo bem. A Granja do Solar tivera seu nome mudado para Granja dos Bichos e fora até fabricada uma bandeira verde com um chifre e uma ferradura no centro da bandeira, tendo este símbolo como símbolo do Animalismo. Vejam que até na bandeira Geroge Ornwell faz alusão ao Comunismo.
Intrigas virão entre Bola-de-Neve e Napoleão, este por sua vez irá expulsar Bola-de-Neve da Granja por não aceitar as idéias de Napoleão. Aos poucos a escravidão vai ressurgindo. Só que agora os animais não trabalham mais para os humanos e sim para os porcos. Antes os animais que tinha aversão aos seres humanos vão transformando-se iguais a eles. Vai surgindo uma desigualdade social na Granja, onde os cachorros e porcos serão, digamos, um nova burguesia e os demais bichos seus escravos.
Os mandamentos que foram criados pelos porcos, os sete, aos poucos vão sendo modificados por ordens de Napoleão. Vai sendo feita também uma certa lavagem cerebral nos bichos. Tendo-se em vista que estes animais não possuem memórias muito boas como as dos porcos, estes inventam inúmeras histórias. Por exemplo, que fora herói da luta pela revolução fora Bola-de-Neve, mas aos poucos, os porcos fazem com que Bola-de-Neve seja visto como traidor dos animais.
O livro é de uma extrema crítica, que fique claro, não às idéias do Comunismo, mas ao totalitarismo que fora posto em prática por Stálin. Tanto é tamanha crítica a URSS, que temos Major como Lênin, Bola-de-Neve como Trotsky e Napoleão como Stálin. Quem conhece um pouco sobre a revolução ocorrida na URSS irá ficar de queixo caído de como Geroge Ornwell faz com que uma revolução feita pelos homens seja igualmente possível ser feita por seus bichos.
O final do livro é uma coisa esplendorosa, que nos mostra que podemos até tentar mudar o modo de sociedade, mas o ser humano não muda, tanto é que os porcos que viviam em luta com os homens, seus eternos inimigos, tornam-se iguais na sua podridão humana.

Serviços: ORWELL, George. A Revolução dos Bixos. Ed. Globo.

OS OLHOS DO DRAGÃO

2 de maio de 2006




Para quem curte aventuras ambientadas em um mundo medieval, com certeza vai adorar esse livro, isso porque, ele tem as características dos contos de fadas misturadas com as emoção e suspense dignos do autor, Stephen King.
É isso aí, acredito que todos nós estamos acostumados a ligar o nome de King a filmes e livros de horror e suspense, mas o autor se mostra mais versátil do que o imaginado, como demonstrou em Um Sonho de Liberdade, filme cujo roteiro é seu e também no livro que apresento agora. É bem interessante a história do livro, a história foi escrita especialmente para a filha de King, Naomi, que já havia deixado bem claro para o pai, que o amava muito, mas não estava nem um pouco interessada em seus demônios, vampiros e criaturas rastejantes, isso mexeu com o autor, que decidiu escrever algo que conquistasse a menina. Uma certa noite começou a rascunhar a trama, que no início se chamaria O Guardanapo, quando terminou passou para a menina ler, a reação não poderia ter sido melhor, ela o abraçou e disse que não queria que a história tivesse terminado, nada melhor para um autor escutar. Mas afinal, que história é essa? Tudo bem, deixe-me guia-lo querido(a) leitor(a) por mais esse mundo fantástico.
Como disse antes, esse livro tem as características de um conto de fadas clássico, aventuras com dragões, príncipes valentes e mágicos maus, só que com a pitada de suspense típica de Stephen King. Tentem imaginar o que vou relatar agora:
“(…)A passagem através do castelo é esfumaçada, sentida por alguns e percorrida por uma só pessoa. Flagg conhece bem o caminho. Em quatrocentos anos, ele caminhou muitas vezes, com muitos disfarces, mas agora a passagem serve ao seu real propósito. Através de um orifício escondido na parede, o mago da corte observa o rei Rolando, velho, fraco, mas ainda um rei. O tempo de Rolando está quase terminando, apesar de o jovem príncipe Pedro, alto e bonito, todo um porte real, estar apto e receber o reino.
Ainda que um pequeno camundongo seja capaz de sacudi-lo, um camundongo que se arrisca a pegar um grão da “areia-do-dragão” atrás das estantes de Pedro e morre chorando lágrimas de fogo e expelindo uma fumaça cinza. Um camundongo que morre tal qual o rei Rolando. Flagg viu tudo e sorriu, pois o príncipe Tomás, um garoto ainda, facilmente servirá aos desejos de Flagg, governar o reino. Mas Tomás tem um segredo que transforma os seus dias em pesadelos e suas noites em ladainhas para o esquecimento. O último raio de esperança repousa no alto do obelisco, a prisão real onde Pedro planeja uma audaciosa escapada(…)”.

Escrevendo com a agilidade e força que fascina milhões de leitores, Stephen King transforma uma história que no início da leitura parece ingênua e até meio infantil, numa obra-prima de ficção que cativará leitores de todas as idades, é incrível como se percebe claramente a transformação da trama conforme se ler, a história se desenrola no ritmo da tomada de fôlego de uma fera antes de do ataque fatal. Então se arrisque e leia, descubra o que se pode ver através dos olhos de um dragão.

Serviços: KING, Stephen. Os Olhos do Dragão “The eyes os the dragon”. Editora Objetiva.

A PERDIÇÃO DE CAMILO CASTELO BRANCO

23 de abril de 2006



A Obra é o Homem. Essa máxima da teoria literária é vista com nitidez na obra do português Camilo Castelo Branco. Homem de vivência desregrada, ultra romântico; obra igualmente ultra-romântica na qual é possível detectar a marca única e inconfundível do autor: seu estilo. Impossível analisar o acervo camiliano sem contextualizá-lo.
Assim é vista a novela Amor de Perdição que narra a história de um casal de adolescentes e seu romance malfadado. Como o mito de Píramo e Tisbe, Simão Botelho e Teresa de Albuquerque são vizinhos mas suas familias se odeiam devido a uma causa de lítigio vencida por Domingos Botelho, pai de Simão, em detrimento de Tadeu de Albuquerque, pai de Teresa.
O amor exarcebado e “proibido” dos protagonistas de Amor de Perdição foram fortemente influenciados pela experiência de vida de seu autor. A Teresa de Camilo Castelo Branco foi Ana Plácida, mulher casada que do mesmo que o autor português foi presa a mando do marido traído. E é na prisão que Camilo em tempo recorde de quinze dias escreve sua mais conceituada obra.
Para Camilo Castelo Branco a Literatura foi, além do suporte financeiro, seu sustentáculo anímico. Para ele a Literatura é uma necessidade urgente de dar vida a sua existência, por isso em Camilo a Catarse se dá muito mais via escritor-obra do que obra-leitor. O que não diminui em nada sua literariedade, já que como profundo conhecedor da estrutura da Língua Portuguesa Camilo tem uma faculdade de expressão magistralmente ágil e culta, domina os recursos da linguagem produzindo textos dinâmicos e de marcante aceitação. Suas tramas,mesmo previsíveis, prendem a atenção do mais monótono leitor.
Como uma boa obra ultra-romântica o desfecho do autor português foi de igual tragicidade. Devido a sua vida boêmia Camilo contrai sífilis deixando-o cego. Sem conseguir enxergar para escrever, suicida-se com um tiro no ouvido direito no dia primeiro de junho de 1890.

Serviços: Branco, Camilo Castelo. Amor de perdição.Martin Claret:São Paulo, 2001.

A PROFECIA

16 de abril de 2006




A Profecia

Profetizado na Bíblia Sagrada, o anticristo já foi tema para muitos filmes e livros. Mas qual livro será que foi o primeiro, o mais original a tratar do assunto de forma ficcional? Em minha opinião só pode ter sido “A Profecia” de David Seltzer (também autor de “A Semente do Diabo”). O livro deu origem ao filme de mesmo nome que foi uma superprodução da Fox com Gregory Peck e Lee Remick nos papéis principais e direção de Richard Donner, sendo que o script foi do próprio David Seltzer. Comparado aos filmes “O Exorcista” e “O bebê de Rosemary”, o filme obteve enorme sucesso de crítica e público e o livro é considerado um dos maiores bestsellers da história editorial americana.

A história gira em torno de uma conspiração para tornar o anticristo, Damien (esse nome me causa arrepios até hoje e o número 666 nunca mais vai ser pra mim apenas um número) em líder mundial. A narrativa é bastante envolvente e entremeada de suspense, emoção e mistério. Já li o livro por duas vezes e em ambas fiquei angustiado, mesmo sabendo do final, tanto do livro quanto do filme. Sem dúvida um clássico do tema terror/suspense que deve ser lido e relido por todos que são fãs do gênero.

Damien - A Profecia II

Dando seqüência ao primeiro livro, aqui vemos Damien já mais crescido mostrando a quê veio. Será que ele consegue? Este livro não foi escrito pelo mesmo autor do primeiro livro, mas por Joseph Howard, mas nem se percebe, pois os elementos do primeiro livro estão presentes e a seqüência da história flui de forma natural. Natural também foi que este livro virasse filme, novamente pela Fox, porém estrelado desta vez por William Holden e Lee Grant com direção de Don Taylor, porém o filme não é assim tão brilhante quanto o primeiro.

O bom mesmo mesmo é ler os dois livros e, se ainda não viu, ver os filmes.

Serviços: Seltzer, David – The Omen - A Profecia – Tradução de A.B. Pinheiros de Lemos - Editora Record – 1976 - 199 páginas

Howard, Joseph – Damien Omen II - Damien Profecia II – Tradução A.B. Pinheiros de Lemos - Editora Record – 167 páginas

Resenhado por Nilson Luis Neumann -
e-mail: nilson@superimec.com.br

MEMNOCH:
AS CRÔNICAS VAMPIRESCAS

10 de abril de 2006



O quinto volume das Crônicas Vampirescas de Anne Rice, é com certeza o livro mais denso e polêmico da escritora. “Memnoch, o Demônio”, é o livro que encerra as crônicas de Lestat como protagonista. A partir desse, outros vampiros passam a narrar as histórias.
Abordando o lado mais metafísico e existencial da condição vampiresca, a história trata do enfrentamento de Lestat contra seus demônios interiores, ao mesmo tempo em que é conduzido pelo Demônio Memnoch (segundo ele, o próprio Lúcifer), em uma grande viagem através de planos superiores como o próprio paraíso celestial, chegando até o inferno.
Lestat teria então, a oportunidade d conhecer, através da visão de um demônio ou espírito, todos os principais acontecimentos bíblicos, como a gênese, a queda de Lúcifer e a vinda de Deus a terra, através do corpo mortal de Jesus Cristo.
As dúvidas do leitor, somam-se as de Lestat a cada página do livro. Que disputa é essa, que envolve Deus e o Diabo e qual o papel da humanidade nesse embate? E por que o vampiro Lestat seria tão importante e tão disputado por ambas as forças? Seríamos, realmente, apenas meros piões dentro de um perverso jogo envolvendo forças que, com certeza, nunca entenderemos? Ou tudo não passaria de diabólicas artimanhas inventadas por Memnoch, para enganar o egocêntrico e infantil Lestat?
Nesse livro, temos o início de uma séria mudança na personalidade do vampiro Lestat, que sofre uma grande transformação espiritual depois dessa aventura, passando a ver no mundo mais do que um simples “jardim selvagem”, onde o ser humano não passa de alimento, dentro de uma cadeia alimentar onde os vampiros ocupam o topo.
Um livro espetacular, mas bastante denso e que requer uma atenção extra para sua leitura.

Serviços: RICE, Anne. Memnoch: As crônicas vampirescas. “Memnoch, the Devil: The Vampire Chronicles”. [Tradução: Waldéa Barcelos]. Rio de Janeiro, Editora Rocco.

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