Arquivo da Categoria ‘Vladimir de Sousa’

O CORONEL E O LOBISOMEM ou “Os deixados do Oficial Superior da Guarda Nacional, Ponciano de Azeredo Furtado, natural da Praça de São Salvador de Campos de Goitacases”

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

PONCIANO DE AZEREDO FURTADO: Dois metros de

altura, barba ruiva, fortão, voz grossa, invencioneiro e

bondoso. Por vezes, maluco da cabeça e apreciador de rabo-

de-saia.

Confesso que não conhecia o livro até ver o lançamento do filme estrelado por Diogo Vilela, Selton Mello, Pedro Paulo Rangel e Ana Paula Arósio. E apesar de não ido vê-lo, fiquei bastante curioso em ler o livro.

Coronel Ponciano é um personagem extremamente peculiar, reflexo de um período de transição entre uma república baseada nos mandos e desmandos de um pequeno número de pessoas bem relacionadas, munidas de patentes militares e moradoras do interior, e do grande processo de urbanização ocorrido no século XX, que castrou esse retrogrado e datado sistema de relações.

A descrição do próprio personagem principal já nos mostra a preocupação do autor em satirizar esse sistema. Ponciano de Azeredo Furtado, é a matriz de vários personagens que surgiram após o lançamento do livro, como o invencioneiro Pantaleão, criado pelo gênio do meu conterrâneo, Chico Anysio.

Mistura de valentão com froxo, casa nova e quasímodo (não pela beleza, mas pelo sucesso para com as mulheres), experiência no trato com as pessoas e ingenuidade completa no inverso, fazem desse um dos melhores personagens da literatura nacional no século XX.

O autor José Cândido de Carvalho, resume em Ponciano “um personagem que corporifica em seus quase dois metros de inútil valentia o heróico e patético dos últimos senhores rurais da região canavieira do norte fluminense, destronados pelo incoercível processo de urbanização da sociedade brasileira”.

José Cândido também mistura nos discursos de Ponciano, expressões de inspiração militar e jurídica com expressões tiradas de dentro dos currais e das plantações. Um mistura do popular e do acadêmico, gerando todo um “palavreado” novo dentro dessa história.

E o Lobisomem do título, onde se encaixa nisso tudo? No livro ele é apenas mais um dos muitos casos contados e enfrentados pelo Coronel, sem nenhum destaque maior.

O Coronel e o Lobisomem de José Cândido de Carvalho é um livro imperdível para os amantes da nossa excelente literatura.

Serviços: Carvalho, José Cândido. O Coronel e o Lobisomem. Rocco, 2000.

KEN FOLLET: O BURACO DA AGULHA

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

Provavelmente, a grande maioria dos thrilers escritos nos anos 70, tem como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial. Dentro desses livros, temos na sua quase totalidade, romances que de alguma forma trazem como antagonistas, alemães nazistas. O livro “O Buraco da Agulha” do escritor Ken Follet é um exemplo perfeito do que estou falando.

Escrito em 1978, esse livro tem como pano de fundo, o grande perigo que os aliados correram de ter o rumo do conflito catastroficamente alterado, devido à espionagem no final desse terrível conflito. Inúmeros espiões alemães viviam na Inglaterra, sempre buscando passar informações de todas as estratégias dos aliados. E em o “O Buraco da Agulha”, Follet cria um suspense eletrizante envolvendo o (acho eu) fictício e melhor espião alemão Die Nidel e a invasão dos aliados à Normandia em 1944.

No outro lado, estão um professor de História e um agente do Serviço Secreto Inglês. E fechando o triângulo, uma jovem mulher, que muda-se grávida e com seu marido para uma quase deserta e incomunicável ilha, após um grave acidente de carro que o mutilou.

Seriam os aliados capazes de deter Die Nidel, e impedir que ele passasse informações à Alemanha que mudariam os rumos da guerra? E que informações tão importantes seriam essas? A resposta para essas e mais outras muitas perguntas, você terá apenas lendo o livro.

Leitura altamente recomendada.

Serviços: Follet Ken. O Buraco da Agulha “The Storm Island” [Tradução de Orlando Lemos]. Série Best Quality. Editora Globo.

MAU- OLHADO

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

Primeiro romance do grande escritor Peter Straub e o terceiro de sua autoria que tive o prazer de conhecer. Nesse, Straub mais uma vez se utiliza do sobrenatural para contar sua história.

Júlia é a personagem central da trama. Abalada e completamente traumatizada com a recente morte de sua filha Kate, ela se afasta do seu truculento, cativante e aparentemente preigoso marido e compra uma casa em Londres. Logo após sua mudança, coisas estranhas começam a ocorrer na casa, que esconde histórias de grande violência em seu recente passado. Será então que essas mudanças têm algo a ver com a terrível morte da filha de Júlia? Será que a criança pretende se vingar da mãe por não tê-la salvo? Ou será tudo fruto do abalo emocional sofrido por Júlia?

Mau-olhado é um suspense sensacional, que cativa do início ao fim e mostra claramente o porque do Peter Straub ser um dos melhores escritores do gênero.

Serviços: STRAUB, Peter. Mau-Olhado “Julia”. [Tradução de A. Weissenberg]. Editora Record.

A RAINHA DOS CONDENADOS

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

Esse é na minha opinião um dos melhores livros das crônicas vampirescas. Aqui, a escritora Anne Rice, no ápice de seu brilhantismo, apresenta-no a toda mitologia dos sugadores de sangue. A junção de um espírito que aprendeu a gostar de sangue com uma pessoa a beira da morte, levou a origem dessas criaturas. O pai e a mãe de todos os vampiros são apresentados vindos de um Egito pré-faraônico, antes da união entre baixo e alto Egito e construção das pirâmides. Em um período em que tribos canibais matriarcais também povoavam a região.

A Rainha dos Condenados também é o livro onde ocorre a maior expansão do universo criado por ela. Além de apresentados a Talamasca e a própria origem dessas criaturas sobrenaturais, somos apresentados a diversos novos personagens, que se tornaram presenças constantes em outros livros das crônicas vampirescas, como Pandora, as gêmeas Mekare e Maharet, David Talbot, Jesse Reeves, Santino, Kayman, entre outros.

Mas meu destaque maior vai para a criação da espetacular Talamasca, grupo de estudiosos do paranormal que tem como lema: Observar, sem nunca interferir. E é exatamente isso, que na minha opinião, torna esse grupo tão interessante. A história da ordem é aprofundada em vários outros livros das crônicas, e na história das bruxas Mayfair.

Rainha dos Condenados, é uma continuação direta do Vampiro Lestat, o final de um é o início de outro e vice-versa. O rebelde Lestat, com sua música, tira Akasha, mãe de todos os vampiros de um sono de milhares de anos. Despertada, a mãe inicia uma terrível saga embebida de insanas idéias entre elas a de destruição da quase totalidade dos homens na terra, com a justificativa de que os homens seriam os responsáveis diretos por todos os males existentes no mundo (guerras, fome etc), e sem eles, esses males encerrariam e seria dado inicio a um próspero período de paz, onde a nova raça humana deveria idolatrar apenas a Akasha, como sua Rainha e a Lestat, como seu consorte.

Para evitar isso, os mais antigos e poderosos vampiros da terra se reúnem com o intuito de evitar que isso ocorra. Mas será que eles conseguirão? E como destruir a mãe de todos os vampiros sem que ocorra a própria destruição de toda a raça?

Mesclando uma aventura de tirar o fôlego, com forte pitadas do mais envolvente mistério e terror, com personagens fortes e tridimensionais (ela sempre teve a preocupação de dar vida aos seus personagens, o que para alguns pode tornar o livro um pouco cansativo, nos momentos em que ela conta as suas histórias) , Anne Rice cria um dos melhores livros do estilo que já li até hoje.

Serviço: RICE, Anne. A Rainha dos Condenados. “The Queen of the Damned”. [Tradução de Eliana Sabino]. 5ª Edição, Editora Rocco, 2000.

ROBERT LUDLUM: O CAMINHO PARA OMAHA
A criação de um Dom Quixote pós-moderno

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

Mais um excelente livro do escritor norte-americano Robert Ludlum. “O Caminho para Omaha” é mais uma história protagonizada pelos hilários ex-General Mackenzie “louco” Hawkins e seu fiel e forçado escudeiro, o genial e amalucado advogado Sam Devereaux.

No primeiro livro com participação desses personagens (Estrada para Gandolfo, com resenha já aqui publicada), acompanhamos a tentativa do General, com o apoio forçado de Devereaux, a grande ajuda de suas quatro ex-esposas e um grupo de mercenários, com o intuito de realizar o maior seqüestro de toda a história, nada mais, nada menos que a maior figura da Igreja Católica, o Papa.

Aí, na minha opinião Ludlum teria um grande obstáculo, já que depois de um plano como esse, dificilmente ele inventaria uma aventura melhor, ou pelo menos tão boa quanto a primeira. Ainda bem que eu estava enganado, pois a trama desse segundo livro é ainda mais louca e divertida. O General Mackenzie, cerca de dois anos após ter sido chutado do exército pelo governo americano (mesmo tendo sido condecorado duas vezes), bola seu maior plano de ataque. Através de documentos encontrados em um obscuro arquivo, Hawkins encontra um erro cometido há mais de 100 anos, que pode fazer o Governo Norte-Americano perder para a pequena e desaculturada tribo indígena dos Wopotami, quase toda a região de Omaha, em Nebraska. Aí você pode me perguntar, e daí? E daí que em Omaha se encontra o imponente edifício-sede do Comando Aéreo Estratégico dos E.U.A., trocando em miúdos, a primeira linha de defesa do país e fonte de enriquecimento para diversas mega empresas de alta tecnologia. Realmente, Ludlum se supera aqui, colocando seu General em um confronto direto contra o próprio governo que o abandonou em plena China comunista.

É gostosíssimo acompanhar mais uma vez a trajetória desses fantásticos personagens. Sam Devereaux, que ainda sofre bastante devido ao desfecho de sua primeira aventura com o general. Novos personagens, como os truculentos e bobalhões Desi-Um e Desi-Dois, que de ladrões, passam a soldados do “Louco” Mackenzie. Aaron Pinkus, brilhante advogado e chefe de Sam, peça fundamental na estratégia WopotamiXGoverno dos E.U.A.. Jennifer Redwing, brilhante e linda advogada, filha do povo indígena e questão e mais uma envolvida na trama do General. O próprio Mackenzie Hawkins, que continua com todas suas sobrenaturais habilidades, incluindo aí a idolatria de todos os veteranos da segunda guerra mundial que pelo menos ouviram falar em seu nome.

Some a esses personagens uma trama que envolve desde a máfia americana controlada por um dos chefões da CIA, até um grupo anti-terrorista, composto por atores, que nunca disparou sequer um tiro, mas sempre cumpriu todas as suas missões com o mais puro e completo êxito.

Mais um livro indispensável de Robert Ludlum!!!

Serviço: LUDLUM, Robert. O Caminho Para Omaha “The Road To Omaha”. [Tradução de Haroldo Netto]. Rocco, 1993.