Arquivo da Categoria ‘Vladimir de Sousa’

ANGUS: O GUERREIRO DE DEUS

terça-feira, 17 de janeiro de 2006




Para mim, essa grandiosa obra do autor Orlando Paes Filho, pode ser resumida em dois distintos aspectos: Um livro com uma espetacular pesquisa histórica, cheia de detalhes sensacionais e de uma grande preocupação em relação à reconstituição da época trabalhada. Já por outro lado, temos em Angus, uma obra literária das mais cansativas, com personagens chatos e construídos em cima dos mais cansativos clichês.
No segundo volume da série de 7 livros, o personagem Angus sai de sua terra natal guiando uma parte do seu clã, à Escócia, em busca de Deus na Terra Santa. Quando o grupo é atacado por saqueadores e quase todos os seus companheiros são barbaramente mortos, ele acaba ficando sobre a proteção de grupos de cavaleiros como os Templários e os Hospitalários. E é essa proteção e esses aliados que dão a Angus a sua maior alegria, o encontro da espada sagrada de seu avô Sean MacLachlan, Gaoth Cerridwen, que se tornou uma relíquia cristã, entre as milhares existentes que serviam para motivar os exércitos dos cruzados e os demais fiéis.
A história se passa durante a segunda cruzada, quando vários Reis Europeus cobiçavam tomar Jerusalém e todos os condados do caminho das mãos dos mulçumanos.
Mas como falei no início, a obviedade dos personagens, os excessos de clichês e a ausência de emoção em todos os momentos do livro, tornam o livro completamente dispensável.

Serviços: PAES FILHO, Orlando. Angus, O Guerreiro de Deus. Editora Planeta, 2004.

AS CRÔNICAS VAMPIRESCAS
A HISTÓRIA DO LADRÃO DE CORPOS

segunda-feira, 9 de janeiro de 2006




A quarta crônica vampiresca escrita por Anne Rice, se diferencia bastante das demais, por seu lado mais simples, menos pesado. “A História do Ladrão de Corpos” é muito mais uma aventura do que uma história de horror gótico como as anteriores. Rice também dá um tempo em sua complexa mitologia vampiresca e resolve abordar aqui, questões mais ligadas a imortalidade, mas sem grandes exageros existencialistas como visto posteriormente em outros escritos da autora. Seria ela realmente algo positivo? Muitos vampiros enlouquecem e se destroem quando pensam na perspectiva de uma existência infinita e é com esse pensamento e preocupações que voltamos a ter contato com o herói máximo das crônicas, o Vampiro Lestat.
A aventura começa, quando Lestat começa a ser perseguido por um estranho mortal, que parece sempre saber onde ele se encontra. Irritado com a petulância do homem, o vampiro o aborda e recebe uma estranha proposta, trocar de corpo durante 24 horas, voltando a ser mortal e sentir o que sua antiga condição pode oferecer-lhe de positivo ou negativo. Obcecado por essa idéia e sob veemente protestos do seu amigo David Talbot, ele aceita a proposta e volta a ser um homem comum. Mas nosso herói não contava com as intenções do estranho, que acaba rompendo o trato e roubando o poderosíssimo corpo do vampiro.
Nesse volume, poucos personagens já conhecidos pelos leitores das Crônicas são vistos. Temos aqui uma apresentação maior da Talamasca (grupo de estudiosos do sobrenatural) e a entrada definitiva de Talbot nesse universo.
E é justamente a amizade e o fascínio de Lestat pelo diretor geral da Talamasca, David Talbot, que apesar de estar morrendo de velhice nega sempre a tentação do Dom das Trevas (vampirismo) oferecida por Lestat, um dos pontos altos das crônicas vampirescas e a força motriz desse livro. “A História do Ladrão de Corpos” , com certeza, não é um dos melhores livros escritos por Rice, mas serve para mostrar a grande gama de possibilidades de abordagem que ela pode utilizar em seu fascinante universo.

Serviços: RICE, Anne. “The tale of the Body Thief” [Tradução: Aulyde Soares Rodrigues]. Rio de Janeiro: Rocco, 1993.

MAIS ANNE RICE NO LITERATURA FANTÁSTICA:

ENTREVISTA COM O VAMPIRO…
O VAMPIRO LESTAT…
A RAINHA DOS CONDENADOS…

ANJOS E DEMÔNIOS

segunda-feira, 19 de dezembro de 2005




De cara, uma afirmação já pode ser feita sobre esse livro. É, com certeza, infinitamente superior ao livro de maior sucesso de Dan Brown, O Código Da Vinci. Em Anjos e Demônios, temos a primeira aventura do simbologista de Harvard Robert Langdon.
Langdon é chamado a Suíça, para tentar esclarecer um hediondo assassinato que pode envolver o surgimento de uma das sociedades mais secretas de todos os tempos, os Illuminatti. Sociedade que pregava a excelência do cientificismo e fim do obscurantismo, que tinha como maior divulgador, a Igreja Apostólica Romana.
A trama então, se desloca até a cidade do Vaticano, que já está em fervorosa depois da morte do Papa e devido ao início do Conclave para escolher o seu substituto. A cidade sagrada dos católicos vira alvo dos Illuminatti, e Langdon, juntamente com a filha do cientista assassinado, tem que evitar a morte de cardeais seqüestrados e a total aniquilação da cidade por uma nova e reveladora arma. Para evitar que isso ocorra, Langdon deve decifrar diversos códigos que o levarão até a sede dos Illuminatti, local nunca encontrado por ninguém, a não ser alguns iniciados.
Nesse livro, Dan Brown deixa o sensacionalismo mais de lado (apesar de uma trama que envolva a destruição da Igreja por uma sociedade “satanista”, ser completamente sensacionalista) e se preocupa mais em criar um surpreendente thriller, com personagens excelentes e muito mais consistentes que em seu outro livro aqui citado.
Aliás, não pude deixar de notar, que Brown, pelo menos nesses dois livros, parece seguir uma cartilha. Mais ou menos como uma espécie de fórmula de como se criar uma trama. Numero aqui algumas semelhanças entre as duas histórias protagonizadas por Langdon:

1 – Ambas histórias começam com Langdon sendo chamado para decifrar alguns símbolos encontrados em estranhos e hediondos assassinatos de respeitáveis e idosos senhores;
2 – Ambos os senhores tem parentes muito próximas (neta e filha adotiva), que passam a auxiliar Robert Langdon movidas por um sentimento de vingança e justiça e que acabam sendo de grande ajuda em determinados momentos da história devido aos seus conhecimentos;
3 - Ambos possuem assassinos fanáticos, que dão a carga extra de adrenalina necessária à história;
4 -Uma espécie de mentor intelectual, que pode, ou não, ajudar os protagonistas da história com seus conhecimentos.

Enfim, Anjos e Demônios apesar de não ter nada de novo, possui uma trama sensacional e bastante inteligente (as vezes, BEM exagerada), com um desfecho realmente surpreendente. Além disso, trata-se de um livro muito mais corajoso que “O Código da Vinci”.

Serviços: Brown, Dan. “Anjos e Demônios”. [Tradução de Maria Luiza Newlands da Silveira]. Editora Sextante, 2004.

AS CRÔNICAS DE NÁRNIA
O SOBRINHO DO MAGO
O LEÃO, A FEITICEIRA E O GUARDA ROUPA

sábado, 17 de dezembro de 2005

Mais um clássico da Literatura Fantástica. As Crônicas de Nárnia de C. S. Lewis, parecem ter similar importância à obra do genial J. R. R. Tolkien na Inglaterra em meados do século XX. Mas a semelhança entre esses autores não termina em suas nacionalidades. Ambos, além de ingleses, tem em suas obras máximas, uma forte influência cristã (em Lewis essa influência é bem mais explícita), além da criação de um universo mágico, onde criaturas das mais diversas espécies convivem juntas.

Lewis cria em Nárnia, um lugar perfeito, onde os animais falam e seres mitológicos e reais dividem o mesmo espaço, mantendo uma forte amizade e uma doce harmonia. Mas o que seria Nárnia?

Nárnia é um território de paz, criado pelo sábio Leão Aslam (uma clara alusão ao Deus cristão) depois de um belo canto (o que lembra também a origem da Terra Média de Tolkien, criada após Eru dar vida aos Ainur, que com suas melodias perfeitas realizam a criação, como descrito no magnífico Silmarillion), que deu origem a todas as coisas existentes.

As duas primeiras crônicas (ligadas ao primeiro filme), colocadas nessa ordem (que não é cronológica, já que a primeira aventura escrita em Nárnia foi “O Leão, A Feiticeira e o Guarda Roupa”) por vontade do próprio escritor, mostram essa origem do universo, como a Bruxa branca chegou em Nárnia e como se deu o retorno de Aslam e a guerra contra as hordas da temida bruxa.

Talvez a principal diferença entre Lewis e Tolkien, seja o público alvo ao qual suas obras foram direcionadas. Enquanto as aventuras na Terra Média são direcionadas a um público que está transitando da infância para a idade adulta, essas duas primeiras crônicas de Nárnia são claramente direcionadas às crianças. A quase ausência de violência e a colocação de crianças como personagens centrais da história corroboram isso. Mas isso, com certeza, não impedirá os marmanjos, fãs dessa chamada Literatura Fantástica, de se deliciar com o livro.

Boa leitura e preste atenção ao abrir o seu guarda roupa de agora em diante, pois quem sabe ele pode ter sido construído com algum material mágico e levá-lo a aventuras inimagináveis? Caso isso não ocorra, abre o livro e faça isso da maneira mais fácil.

ROBERT LUDLUM: “A ESTRADA PARA GANDOLFO”

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

Esse é o primeiro livro que leio do americano R. Ludlum, autor de livros bastante conceituados, como a trilogia Bourne e o Círculo Matarese. Acho que não poderia começar de forma melhor, já que A Estrada para Gandolfo é um livro extremamente divertido. O mais interessante é que Ludlum partiu de uma idéia séria, onde envolveria grupos satanistas e o seqüestro de um Papa. Em determinado momento ele decidiu pela mudança e trasformou o que seria um grande thriller de suspense em uma inusitada e deliciosa comédia, com personagens hilários e marcantes.

Samuel Devereaux, é um jovem advogado, que após cometer um tremendo erro em uma investigação, acusando um inocente em vez do culpado, pelo simples fato deles serem primos (terem o mesmo nome e ambos serem generais do exército dos Estados Unidos), é obrigado a prestar serviço ao exército por um bom tempo.

MacKenzie Hawkins, o Falcão, é um General na meia idade, herói de guerra duas vezes condecorados e uma lenda viva para os soldados do Tio Sam. O velho Mac seria o oficial perfeito, o homem pelo qual todos os americanos deveriam se espelhar. É, isso poderia até acontecer, se ele não fosse o homem mais cabeça dura, desbocado e louco daquele país. E depois de destruir os órgãos genitais de uma estátua sagrada na China e de mijar na bandeira dos E.U.A, ele é “abandonado” pelo seu governo e preso pelo governo chinês, com previsão de cumprir uma pena de mais de 4.000 anos na Mongólia.

E é nesse ponto que essas distintas figuras se encontram e o pesadelo de Sam, em vez de acabar (ele odeia o exército), apenas começa.

O que faz um homem como o Falcão ser tão amado? Como ele pode ter quatro ex-esposas e todas exibirem uma fidelidade quase sobrenatural para com ele? E como cargas d’água uma pessoa pode ser louca ao ponto de bolar um plano que envolve a criação de uma empresa fantasma com patrocínio dos maiores escroques dos quatro cantos do mundo para financiar o seqüestro de um dos Papas mais queridos da História em troca de um resgate de 400 milhões de dólares (um dólar para cada fiel da Igreja Católica)? Leia o livro que você terá a resposta.

Uma das leituras mais agradáveis e divertidas que fiz nos últimos meses, e já estou grudado em outra aventura envolvendo o General Hawkins e Sam Devereaux.

Serviços: LUDLUM, Robert. A Estrada para Gandolfo (Road to Gandolfo). Nova Fronteira, 1982.