Arquivo da Categoria ‘Vladimir de Sousa’

O TOQUE MÁGICO

quarta-feira, 15 de novembro de 2006




Alan Bulmer é um médico como poucos, daqueles que valorizam o contato físico e realmente se importam com seus pacientes (o que é bastante raro hoje em dia), tendo sempre, como sua maior preocupação a saúde de sua clientela e não os seus bolsos.
A vida profissional de Alan corre normalmente. Paralelamente a sua conturbada vida pessoal, onde seu casamento está em crise, principalmente pelas mudanças sofridas por sua esposa após a perda de seu único filho, e sua forte atração por uma bela viúva, mãe de um de seus pacientes.
A viúva é Sylvia Nash, uma excêntrica e rica mulher, que tem como maiores prazeres chocar a sociedade e cuidar de seu pequeno filho, que sofre de um elevado grau de autismo. Sylvia é a patroa de Ba, misterioso e extremamente fiel vietnamita, antigo amigo de seu finado marido. Charles é o amante de Sylvia, renomado médico e pesquisador de uma grande instituição. Em sua profissão é o oposto de Alan, sempre evitando o contato direto com pacientes e buscando exercer a medicina apenas através de pesquisas. Charles é o típico homem da ciência, cético ao extremo, não crê em nada ou em ninguém que de alguma forma subverta a razão científica. Fechando o círculo, o antagonista da história, o ambicioso Senador McCready, perigoso homem que não medirá esforços para atingir seus inescrupulosos objetivos.
Todos esse profundos personagens se encontram quando Alan passa por uma estranha experiência, recebemndo de um estranho mendigo que o perseguia, um inacreditável poder que pode mudar a vida de cada um deles para sempre. Mas seria esse poder uma dádiva, ou uma terrível e fatal maldição?
“O Toque Mágico” é mais uma magistral obra do mestre F. Paul Wilson (O Fortim, Kuroikase, Renascido), que aprofunda ainda mais seu fantástico universo, em uma incrível jornada vivida pelo virtuoso médico Alan Bulmer e seu toque curador, também chamado de Dat-Tay-Vao.
É uma grande pena não termos como encontrar os livros de Wilson com mais facilidade. Suas melhores obras encontram-se fora de catálogos no Brasil e muitos de seus livros nunca foram nem lançados por aqui. Um grande desrespeito das editoras brasileiras, principalmente a Record que publicou alguns de seus livros. Agora só nos resta contar com a sorte de encontrar essas obras em sebos e rezar para que alguma editora brasileira tenha a boa vontade de nos presentear lançando outros de seus títulos.

Serviço: WILSON, F. Paul. O Toque Mágico. The Touch. Editora Record.

A IDENTIDADE BOURNE

segunda-feira, 28 de agosto de 2006


“Delta está para Caim e Caim está para Charlie”

Esse é um pensamento que constantemente perturba a mente do amnésico e perseguido personagem principal dessa obra prima da literatura de espionagem.
Um homem é resgatado semimorto das águas revoltas do mar em uma noite de forte tempestade, levado para uma pequena ilha, é tratado por um médico alcoólatra. Após acordar, descobre que os danos vão muito além do imaginado. O trauma o levou a um estado de completa amnésia, privando-o de todo o seu passado. Obcecado em descobrir quem é, esse homem sem nome e passado começa a juntar pequenos fragmentos, parte de um grande e complexo quebra cabeças que é sua vida. Aos poucos, esse atormentado homem avança em suas buscas, até chegar ao nome Jason Bourne. Acreditando que esse é seu nome, Bourne tem que prosseguir com suas investigações, tendo que entender os flashs de memórias completamente confusos que aumentam de intensidade a cada instante e principalmente, descobrir os motivos por estar sendo perseguido por pessoas até então supostamente desconhecidas. Então, Jason tem que, sobretudo, descobrir o porquê do seu interesse na figura do terrorista Carlos, o Chacal e que empresa é a Treadstone, ao qual provavelmente ele é funcionário e que colocou em uma conta no seu nome a absurda quantia de 5 milhões de dólares.
Robert Ludlum criou em “A Identidade Bourne”, um dos melhores e mais profundos personagens que eu já vi em livros do gênero. Jason Bourne é um homem artomentado por desconhecer seu passado e acreditar ser um perigoso assassino. Com medo de causar mal as pessoas que ele passa a gostar, como a jovem economista canadense pelo qual ele se apaixona, Marie. Jason Bourne é um homem que vive sempre no limite entre o descontrole e a razão, sempre obrigado a tomar perigosas decisões.
Matt Damon interpretou esse personagem pela segunda vez nos cinemas, em dois ótimos filmes. O interessante é que essas adaptações são completamente diferentes das histórias encontradas nos livros.

Serviços: LUDLUM, Robert. A Identidade Bourne. The Bourne Identity. [Trad.:S. M. Barreto]. Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro. 1980.

FORTALEZA DIGITAL

sábado, 19 de agosto de 2006




Em Fortaleza Digital, livro de estréia do megamilionário Dan Brown, acompanhamos momentos de extrema tensão em uma trama que pode levar ao fim de uma das maiores e mais secretas agências de segurança dos E.U.A: a NSA (Agência de Segurança Nacional). Agência responsável pela decodificação de qualquer tipo de mensagem circulada na internet. Ou seja, uma forma do governo norte americano controlar ainda mais a sua população, com a justificativa de proteger a nação de possíveis atentados terroristas ou algo do gênero.
Os personagens parecem ser criados a partir de uma espécie de “guia padrão de modelos para personagens clichês” que Brown sempre utiliza em todos os seus livros. Nesse, os personagens principais são: a “linda, gostosa e genial” criptógrafa/matemática Susan Fletcher; seu noivo, o “lindo, inteligente, sensível e metido a 007” especialista em línguas, David Becker; o severo, mas bondoso Comandante Strathmore, que tenta controlar a crise de todas as formas lícitas e ilícitas possíveis; um genial programador, responsável pelo programa que pode causar o fim da agência; um cruel, perigoso e frio matador, que responde apenas a um misterioso mandante, que será revelado apenas no final do livro (isso se você ainda não leu nenhum dos outros livros do autor, se leu, sem dúvida descobrirá toda a trama antes da página 50).
Não acredito que o sucesso de Dan Brown esteja ligado a sua genialidade enquanto escritor. Longe disso. Seus livros, não tem nada mais do que histórias polêmicas e interessantes, envolvidos por um bom trabalho de pesquisa (feito em conjunto com sua esposa), com um enredo extremamente batido e previsível, já que ele não teve nem a preocupação de elaborar novas tramas para cada um de seus livros. Mesmo assim, Brown tem o dom de conseguir prender seus leitores até o final de suas obras. Talvez devido aos temas utilizados por ele, como sociedades secretas e conspirações mirabolantes, com personagens bobos e sem profundidade alguma, mas que agradam aos leitores que buscam apenas algumas poucas boas horas de diversão, e nada mais.

Serviços: BROWN, Dan. Fortaleza Digital. (Digital Fortress). [Trad.: Carlos Irineu da Costa]. Editora Sextante, 2005.

PS: Essa crítica é mais uma homenagem a minha grande amiga e colaboradora do Literatura Fantástica, FLAVINHA, que já devorou tudo que foi escrito pelo Dan Brown e é fã de carteirinha do Robert Langdon.

O OITAVO MAGO

terça-feira, 11 de julho de 2006



No mundo do disco criado pelo genial Terry Pratchett, os magos têm seus apetites sexuais inibidos pela força da magia, portanto, é muito improvável existirem filhos de magos rondando esse fantástico e hilário universo, onde o principal mundo é plano e sustentado por 4 elefantas gigantes que por sua vez se posicionam em cima de uma tartaruga chamada de Grande A’tuin.
Mas, além da falta de apetite sexual dos magos, é expressamente proibida a eles a paternidade. Isso se deve por razões de segurança para o próprio universo (o que é muito bem salientado e explicado a todos os jovens magos aprendizes dentro dos muros da conceituada Universidade Invisível de Magia).
Fica claro então que o proibido é justamente o que ocorre durante esse quinto livro da mais divertida série de histórias fantásticas criadas desde a morte de Douglas Adams e o fim das aventuras de Arthur Dent e seu “Guia do Mochileiro das Galáxias”.
Tendo como protagonista da história um de seus melhores personagens, o mago que não sabe nada de magia, Rincewind (covarde ao extremo, mas segundo suas próprias palavras, “apenas extremamente cuidado quando se trata de salvar vidas, principalmente quando essa vida for a sua). Pratchett cria uma sensacional história onde a arrogância e sede pelo poder dos magos aparece de uma forma que pode ter consequências terríveis para o disco, alterando-o para sempre.
Quem ainda não conhece esse universo fantástico criado por esse ex-jornalista inglês, tem em o “Oitavo Mago” uma excelente oportunidade de começar, já que ele, como a maioria dos títulos, não segue uma sequência em relação aos outros volumes da série.
Imperdível para os apreciadores de aventuras fantásticas e da fina flor do humor negro na atualidade.

Serviços: PRATCHETT, Terry. O Oitavo Mago “Sourcery”. [Tradução: Roberto DeNise]. São Paulo, 2003. Editora Conrad.

O TALISMÃ

segunda-feira, 19 de junho de 2006



Stephen King é, sem nenhuma dúvida, um de meus cinco autores preferidos. Responsável por algumas das maiores obras primas de suspense e horror do século XX, como “A Coisa”, “Cemitério Maldito”, “Christine”, “Tommynockers” entre outros, King se une ao grande Peter Straub (autor dos suspenses “Mau Olhado” e “Os Mortos Vivos”) para a criação de mais uma obra prima, o genial “Talismã” .

No livro, Jack Sawyer é um garoto de doze anos, órfão de pai e criado pela doente mãe, ex-atriz de cinema. Jack e sua mãe vivem viajando de hotel em hotel no leste, fugindo do indesejável e augorento ex-sócio de seu pai, Morgan Soloat, que quer a todo custo a custódia de Jack após o falecimento de sua mãe, para assim tornar-se dono de seu patrimônio. A vida do protagonista muda completamente, quando ao chegar a uma pequena cidade costeira dos E.U.A., encontra o bondoso Speedy Parker, que o chama de Jack viajante e o faz retomar antigas lembranças a muito esquecidas, incluindo a existência de todo um novo universo, visitado por Jack em suas brincadeiras de infância e até então conhecida por ele como o local onde ocorre “os sonhos de olhos abertos” .

Infelizmente para Jack, a descoberta de que esse local é real e chama-se de Territórios, e que inclusive era visitado por seu falecido pai, vem junto com uma perigosa missão, a de salvar os Territórios de terríveis forças, através da busca de um misterioso Talismã. A posse do Talismã, além de salvar esse novo mundo, pode dar a Jack a possibilidade de salvar sua mãe do câncer que corrói sua mãe.

Stephen King é mestre na criação de personagens, sempre dando-os uma grande complexidade, tornando-os seres reais, aproximando-os ainda mais dos leitores que sentem todo o pavor, dor, fúria, surpresas e triunfos, como se fossemos nós os protagonistas de seus livros. É impossível ler alguma obra de King e não se identificar com algum de seus personagens.

Prepare-se então, para viajar com Jack Sawyer e enfrentar grandes aventuras através dos Estados Unidos e dos Territórios, em uma grande jornada em direção ao extremos Oeste, enfrentando o que há de pior e melhor em relação à natureza humana de habitantes dos dois mundos.

Leitura altamente recomendada.

Serviços: KING, Stephen e STRAUB, Peter. O Talismã. Editora Planeta. 2005.