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O MUNDO MÁGICO DE HARRY POTTER

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

Acho que seria uma grande idiotice perguntar se você já ouviu falar em Harry Potter, não é? Afinal de contas, esse garoto se tornou um grande fenômeno nos últimos anos e raras são as pessoas que não o conhecem, caso você seja uma dessas pessoas ou talvez alguém que até conhece, mas nem tanto, deixe-me apresentá-lo. Até os onze anos ele era um menino comum, um inglesinho como outro qualquer, apesar de às vezes algumas coisas estranhas acontecerem em sua vida, como quando sua tia Petúnia cortou seu cabelo a força fazendo com que Harry fosse dormir com muita raiva, para a surpresa do garoto e de todos os outros, o cabelo havia crescido novamente no dia seguinte. Harry não sabia explicar acontecimentos tão estranhos como esse, até o dia em que uma estranha carta chegou a suas mãos: Prezado Sr. Potter, Temos o prazer de informar que V.Sa. tem uma vaga na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Estamos anexando uma lista dos livros e equipamentos necessários. O ano letivo começa em 1º de setembro. Aguardamos sua coruja até 31 de julho, no mais tardar. Quem não acharia que os correios haviam cometido um erro? Só que nesse caso não, a carta era só o começo de uma grande aventura, a partir do momento em que Harry descobre que é um bruxo, e não um bruxo qualquer, mas alguém que derrotou o maior bruxo das trevas que já existiu, Lord Voldemort. Pronto, aí está, foi com essa fórmula simples e uma história aparentemente infantil que J. K. Rowling criou um verdadeiro estrondo de sucesso, tanto com os livros (já são seis no total), quanto com os filmes e produtos veiculados ao menino bruxo, o que tornou a autora inglesa uma das mulheres mais ricas de seu país. Devo confessar que a primeira vez que vi um livro da série Harry Potter, cometi um grave erro, um erro que nenhum amante de livros deve cometer, eu o julguei pela capa, precisei assistir ao primeiro filme, que foi baseado no primeiro livro, para perceber que ali havia algo a mais. Uma das coisas mais interessantes nesse mundo mágico é a identificação que acontece entre as crianças e jovens, que lêem os livros, com os personagens, já que os mesmos entram na escola de magia, Hogwarts, com onze anos, dessa maneira a autora a cada livro consegue mostrar as transformações comuns e complicadas pelas quais nós todos já passamos e pelas quais muitas e crianças e jovens ainda passarão, os livros abordam questões como: relações familiares, primeiro amor, crise de identidade, problemas na escola, rivalidades entre colegas e muito mais aspectos que tem tudo a ver com a fase da adolescência, isso também explicaria o fato de muitos adultos gostarem das histórias, não só porque viveram essa fase, mas também muitos tem filhos que estão passando por isso agora. Muito bem, vamos a cronologia e um pouco da mitologia da série criada por Rowling.
O primeiro livro chama-se Harry Potter e a Pedra Filosofal, nessa primeira aventura o menino bruxo fica conhecendo o seu verdadeiro passado e entra para a escola de magia e bruxaria de Hogwarts, uma escola que fica na Inglaterra, mas que não pode ser vista por nenhum Trouxa (Trouxa? É como se chama quem não é bruxo) devido a uma forte magia de proteção, a escola foi fundada por quatro grandes bruxos que também dão nome as Casas, que funcionam como equipes para onde todos os alunos são selecionados, foram eles Grifinória, Corvinal, Lufa-lufa e Sonserina, este último foi um bruxo que imaginava a escola só com alunos de sangue puro, ou seja, que pertencessem a famílias inteiramente mágicas, a Casa de Sonserina também é famosa por ser a que mais possui em sua história, bruxos das trevas. Na escola o garoto conhece aqueles que se tornarão seus melhores amigos, Rony e Hermione, o primeiro é filho de uma tradicional família de bruxos, os Weasley e a segunda é filha de trouxas, mas uma bruxa extremamente inteligente, juntos vão enfrentar grande perigos na escola para descobrir o que é a pedra filosofal e quem está tentando por as mãos nela, é nessa primeira aventura também que conhecemos personagens fantásticos como Hagrid, o meio-gigante e Dumbledore, diretor da escola e o bruxo mais poderoso da atualidade, assim como personagens cativantes, mas asquerosos, como Snape, o professor de poções, que odeia garoto e Draco Malfoy, colega de Harry e seu principal rival.

No segundo livro, Harry Potter e a Câmara Secreta, ficamos conhecendo mais sobre o passado do garoto e de seu maior inimigo, Lord Voldemort, descobrimos como a relação dos dois é destrutiva e percebemos as grandes dúvidas que começam a se formar na cabeça de Harry sobre si mesmo. Neste livro, os alunos da escola começam a ser atacados por alguém misterioso e estranhas mensagens que fazem alusão ao “herdeiro de Sonserina” começam aparecer nas paredes, tudo gira em torno da misteriosa Câmara Secreta, que segundo a lenda é lar de um monstro terrível, criado para matar todos os alunos de sangue ruim, ou seja, aqueles cujos os pais não são bruxos. Harry e seus amigos resolvem tentar impedir que os ataques continuem e suas vidas ficam por um triz quando acabam por enfrentar aranhas gigantes, um elfo doméstico com tendências homicidas, uma serpente com poderes incríveis e um professor picareta com fama de herói.

Mas é no terceiro livro, considerado por muitos o melhor até agora escrito, que Harry enfrenta momentos verdadeiramente sombrios, não só com relação aos seus inimigos, mas também a seus sentimentos e lembranças. Em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, um dos assuntos mais dolorosos para o garoto será abordado, a morte de seus pais. A questão é que Harry é órfão, seus pais foram mortos quando ele ainda era muito pequeno, exatamente pelo tal Voldemort, por isso ele é tão famoso no mundo da magia, “ele é o garoto que conseguiu sobreviver”, fato que o leva a ser criado por seus tios, que não gostam nada da idéia de ter um sobrinho bruxo e fazem de tudo para escondê-lo da vizinhança e o tratam como se fosse nada. Logo no início da narrativa o garoto discute com seus tios e resolve sair de casa, no caminho encontra um tenebroso cão negro que parece querer atacá-lo, mas que desaparece logo em seguida, é com esse clima que a autora nos leva de volta a Hogwarts, onde todos estão assustados com a fuga que ocorreu na prisão para bruxos, Azkaban, o prisioneiro, Sirius Black é considerado um perigoso assassino e seria responsável por ter dito a Voldemort onde encontrar os Potter e também de ter matado um outro bruxo amigo da família. A proteção em torno do menino bruxo é grande, mas parece que nada impedirá Black de chegar até ele e matá-lo, ou quem sabe, o contrário, já que Harry se deixa dominar pelo ódio e anseia por encontrar o responsável pela morte de seus pais. Em Harry Potter e o Cálice de Fogo, (por sinal este é o livro que foi recentemente adaptado para as telonas e que tem estréia mundial marcada para o dia dezoito de novembro deste ano) a autora vai abordar pela primeira vez a questão amorosa na vida do garoto e é onde também Harry vai encarar a morte de frente, quando presencia o assassinato de um colega, tudo isso para que Lord Voldemort conseguisse ficar forte o suficiente para retornar com força total e colocar o mundo da magia sobre o domínio das trevas mais uma vez. Para conseguir, Voldemort envolve Harry em um jogo quase mortal, o torneio tribruxo, uma competição entre três escolas de magia, entre elas Hogwarts. Para participar do torneio, os alunos mais velhos colocam seus nomes dentro do Cálice que dá título ao livro, no dia marcado, o cálice cospe os nomes escolhidos que participarão, um nome para cada escola, qual não é a surpresa de todos quando no dia da cerimônia, um quarto nome é escolhido pelo cálice, adivinha de quem? Isso mesmo, Harry Potter. Depois de muitas discussões, o torneio com quatro participantes ao invés de três, é permitido, mas só no final de tudo, depois que o garoto consegue superar as mais diversas provas, que vão desde enfrentar dragões até um labirinto cheio dearmadilhas, é que o mirabolante plano de Voldemort se revela e mais uma vez o mundo da magia se vê em perigo.
Finalmente, o quinto livro, meu preferido por sinal, é nesta aventura que temos a oportunidade de estar diante de um Harry adolescente e aborrecido, cansado de tudo e de todos e que não suportando a pressão de ser Harry Potter, explode em conflitos, agressões, desconfianças e raiva, muita raiva, uma cena muito conhecida por tantos adolescentes e pais no mundo. Em Harry Potter e Ordem da Fênix, chega a hora temida por todos os bruxos do bem, o retorno do mal e de seus seguidores, dá pra sentir na leitura que a hora daquele velho duelo entre a luz e as trevas se aproxima, Voldemort quer retomar seu reino de terror e não pode deixar que o único que já o derrotou e humilhou continue vivo e descarrega sobre Harry todas as suas frustrações de anos em exílio forçado depois que perdeu seus poderes ao tentar matar o bebê Potter, e não é só isso, parece que nada dá certo para o garoto nesse livro, nem mesmo seus relacionamento amoroso com a japa Cho Chang parece querer decolar e para piorar seus melhores amigos começam a ficar de segredinhos pelos cantos, ninguém lhe conta nada do que está acontecendo e Harry então se cansa de ser Harry, também nessa aventura os leitores podem se deliciar com um grande combate de magia onde o próprio Dumbledore enfrenta Voldemort, numa cena descrita com perfeição por Rowling e que é de tirar o fôlego.
Ufa, é isso aí, espero que possa ter esclarecido um pouco sobre que mundo mágico é esse que fascina tanta gente e de quebra ter deixado você curioso ou curiosa quanto aos livros e não cometa o mesmo que erro que eu, não julgue sem antes ler pelo menos um, garanto que você pode acabar se encantando, assim como aconteceu comigo. Eu ainda poderia falar muito mais sobre essa fabulosa série, mas vou deixar para que você descubra o que mais existe no mundo Harry Potter. E fique ligado, dentro de alguns dias o sexto livro da série estará chegando as livrarias brasileiras, Harry Potter e o Príncipe Mestiço, não perca a oportunidade de viver mais essa viagem fantástica pelo mundo da leitura.
“- Lembro-me de cada varinha que vendi, Sr. Potter. De cada uma. Acontece
que a fênix cuja pena está na sua varinha produziu mais uma pena, apenas mais uma. É muito curioso que o senhor tenha sido destinado para esta varinha porque a irmã dela, ora, a irmã dela produziu sua cicatriz”.

Divirta-se!!!

TERRY PRATCHETT E A LUZ FANTÁSTICA

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

Certas coisas na vida são indispensáveis. Respirar, comer, se divertir…e claro, ler A Cor da Magia, sabe porquê? Porque se você não ler, não vai poder dar continuidade a essa fabulosa aventura quando começar a leitura de A Luz Fantástica, o segundo livro da série Discworld.

O autor inglês Terry Pratchett, criador da série Discworld, nos apresenta em seu segundo livro a continuação da louca jornada de Rincewind e Duasflor pelo Disco (como carinhosamente os habitantes se referem ao mundo em que vivem.) Se você não está entendendo sobre o que estou falando recomendo que procure nesta mesma coluna, o resumo do primeiro livro e aí então, depois de ter ficado fascinado, volte para cá e continue a ler, eu vou esperar…Ótimo, que bom que voltou, como eu estava dizendo Rincewind, um mago picareta que se quer consegue fazer uma magia se vê de repente como o centro das atenções de todos os magos, druidas, mercenários e trolls do mundo, algo que não lhe agrada em nada, já que o mago também não é famoso por sua coragem. Contudo, alguém sempre consegue se divertir mesmo nas piores situações e esse alguém é Duasflor, um turista que enxerga tudo e a todos com as lentes cor-de-rosa da ingenuidade, o que leva a dupla muitas vezes mais próximo da morte do que Rincewind gostaria de estar.

Diante da possibilidade do fim do mundo, o Oitavo (maior livro de magia escrito no discworld) resolve intervir e para isso precisa de Rincewind, já que um dos feitiços do livro mora dentro da mente do mago, fato este que se deve a curiosidade do mesmo, que ao abrir o Oitavo teve a mente invadida pelo tal feitiço que se recusa a sair. É fato conhecido dos magos do mundo que para salvar o Disco, todos os oito feitiços contidos no livro devem ser ditos ao mesmo tempo, por isso também precisam achar Rincewind a qualquer custo. Por outro lado, os Druidas precisam de Rincewind para matá-lo, pois o mago interrompeu um poderoso ritual que impediria a destruição de tudo e ainda por cima fugiu com a donzela que iria ser sacrificada… e isso é só uma pontinha de tudo o que ainda vai acontecer nessa nova incrível jornada pelo mundo maravilhoso de Terry Pratchett.

Em a Luz Fantástica, Pratchett consegue se superar em relação ao primeiro livro, não só na trama da aventura, mas também na maneira humorística como gosta de escrever, com jogos de palavras bem característicos e situações engraçadíssimas envolvendo as duas personagens principais. Pratchett também agracia seus leitores com a presença de novos personagens que também são responsáveis pelo encantamento da história e muitas vezes se tornam mais do que simples antagonistas. Só em a Luz Fantástica você vai conhecer trolls com dentes de diamante, uma bagagem que anda e o maior herói do mundo, que por sinal, detesta sopa. Este é realmente um livro para quem curte o prazer de ler e não tem vergonha de sonhar, venha se aventurar pelo Discworld e desfrutar da companhia de magos e guerreiros “que como todos sabemos não se dão muito bem, porque os primeiros acham que os outros são um monte de idiotas sanguinários que não conseguem andar e pensar ao mesmo tempo, ao passo que estes ficam naturalmente desconfiados de um grupo de homens que resmunga muito e usa saia longa. Ah, dizem os magos, se vamos partir pra esse lado, então que tal todos os enfeites e músculos lubrificados na Associação Pagãs de Moços? Ao que os heróis respondem: é um belo argumento vindo de um bando de fracotes que nem chega perto de mulher porque – dá pra acreditar? – o poder místico drena energia. Tudo bem, irritam-se os magos, já chega, vocês e suas bolsinhas de couro. Ah é?, Rebatem os heróis, por que vocês não vão…”

Divirta-se!!!

Serviço: PRATCHETT, Terry. A Luz Fantástica. The Ligth Fantastic. Tradução de Roberto DeNice Conrad Editora do Brasil, 2002, São Paulo.

A COR DA MAGIA

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

É interessante comentar como conheci o universo descrito neste livro antes de qualquer coisa.

Estava em um livraria, sem nenhuma pretensão aparente de comprar alguma coisa, quando me deparei com um livro de título no mínimo curioso, O Fabuloso Maurício e seus Roedores Letrados, folheei um pouco, li os comentários sobre a obra e resolvi levar, acho que “paixão avassaladora” seria pouco para expressar o que senti após terminar de lê-lo, mas foi isso que aconteceu.

Após a leitura, Terry Pratchett, o autor do livro, se tomou pra mim uma referência na arte de escrever bem. Com uma imaginação prodigiosa, uma escrita rápida e compreensível e um senso de humor típico dos britânicos, Pratchett criou um mundo maravilhoso de magia e aventura, diferente de tudo o que havia visto e lido antes. Passei então a procurar mais livros do autor e tive a feliz coincidência de encontrar um amigo que também conhecia Terry Pratchett e seus livros, e os adorava assim como eu. Este amigo é Vladimir de Sousa, o responsável por essa página que está acessando agora. Vladimir já havia lido os dois primeiros livros da série criada por Pratchett, que se intitulava Discworld.

O primeiro livro é exatamente A Cor da Magia, livro sobre o qual irei comentar um pouco agora. O Discworld, cenário de todos os livros da série (pelo menos os até agora publicados no Brasil) é um mundo fantástico, plano e que flutua no espaço apoiado nas costas de quatro enormes elefantes que por sua vez se equilibram sobre os casco de uma tartaruga maior ainda…confuso? Louco? Incrível? Acho que todas esses adjetivos caberiam bem a Pratchett e seu mundo. Em seu primeiro livro, narra as aventuras de Rincewind, um mago chinfrim que não consegue fazer magia e que foi expulso da Universidade Invisível, (onde o oitavo f1lho de uma família vai para se tomar mago) junto com ele está Duasflor, um turista de um império distante louco por dragões, lutas em tabernas e fotografia. Os dois vão protagonizar uma maravilhosa jornada por terras misteriosas, cheias de encontros inesperados com bárbaros, trolls e deuses, uma grande brincadeira no tabuleiro gigante do Destino, que começa simplesmente porque Rincewind é o único que consegue falar o idioma de Duasflor, que por sua vez só queria se divertir um pouco. Logo tudo se transforma em um misto de espionagem, conspirações mortais, sacrifícios humanos e fugas espetaculares.

Com sacadas hilárias e um jogo de palavras inteligente, Terry Pratchett nos leva a uma viagem por sua mente imaginativa e “pigmentada por octarina”. Se você se interessa pela história de um mago picareta, um turista perigosamente ingênuo e alguns dragões que só existem se você acreditar neles, A Cor da Magia é o livro certo. Divirta-se!

Serviço: PRATCHETT, Terry. A Cor da Magia. Conrad Livros, 2001. São Paulo.