Arquivo da Categoria ‘Flavia Pires’

IRVING WALLACE E O SEU SÉTIMO SEGREDO

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

“Embora muita coisa seja estranha demais para se acreditar, nada é estranho demais que não possa ter acontecido.” (Thomas Hardy).

“Depois que se eliminou o impossível, o que resta, por mais improvável que seja, deve ser a verdade.” (Sir Arthur Conan Doyle).

Thomas Hardy e Sir Arthur Conan Doyle, em suas respectivas frases, traduzem de forma perfeita os pensamentos que permearão a mente dos leitores de O Sétimo Segredo. Talvez por isso estejam inclusas no prólogo do livro.

Irving Wallace é autor de livros premiados, incluindo, entre outros, o consagrado - e excelente - “O Prêmio” (uma abordagem fantástica sobre as intrigas e implicações pela entrega de um prêmio Nobel) e a “27ª Mulher” (que conta a história da 27ª esposa de um patriarca mórmon e da importância que essa mulher teve na abolição do casamento poligâmico na América do Norte). Uma das características mais marcantes nas narrativas de Wallace é o modo como ele costuma ‘desmembrar’ suas tramas (mutíssimo diversificadas, vale ressaltar) oferecendo ao leitor várias possibilidades interpretativas.

Em “O Sétimo Segredo”, Wallace utiliza como ‘pano de fundo’ deste ensaio, um fato que mesmo tendo decorrido décadas desde seu acontecimento, ainda intriga a muitos…

O que realmente teria acontecido dentro do Führebunker (Berlim) no dia 30 de Abril de 1945??? Soldados Russos informaram ao mundo que Adolf Hitler e Eva Braun teriam cometido suicídio. Porém, há quem possua outras teorias… E Wallace possui uma das mais IMPRESSIONANTES!!! E o melhor (ou pior) passível de veracidade.

O livro nos confronta com a descoberta de um segredo tão ‘mortífero’, que mesmo 40 anos passados (década de 80, época descrita na narrativa) não conseguem diminuir o perigo que ele representa.

Tudo, em “O Sétimo Segredo”, nos remete à incredulidades, questionamentos, dúvidas (muitas) e, acima de tudo, perplexidade…

Ambientado numa Alemanha dividida (quando ainda existia o muro de Berlim, sendo este praticamente um “personagem” no livro) a história começa quando o Drº Harrison Ashcroft, da Universidade de Oxford, está completando a biografia ‘definitiva’ de Hitler. Nesse ínterim, o professor recebe ‘algo’ que comprovará, de forma irrefutável, que Hitler e Eva provavelmente não se mataram… e que o Führer pode ter participado de alguns fatos marcantes da História mundial… só que após 1945 (???!!!). Entretanto, motivado por um acontecimento intrigante, Harrison não conseguirá comprovar sua obra.

Dentro de um contexto que inclui História (ciência), espionagem, caça à nazistas refugiados (inclusive os asilados na América do Sul) suspense, arte, romance, teorias assustadoras e um ‘apanhamento’ fascinante do povo alemão dividido pelo pós-guerra, o ‘Sétimo Segredo’ é um livro, no mínimo, surpreendente.

Rex Foster (Norte Americano. Arquiteto que descobre uma intrigante ‘planta arquitetônica’), Nicholas Kirvov (Russo. Curador de museu, que adquire um quadro original pintado por Hitler), Tovah Levine (Israelense. Agente do Mossad, serviço de inteligência de Israel), Emily Ashcroft ( Inglesa. Pesquisadora e filha de Harrison) e Evelyn Hoffman (Alemã. Uma berlinense extraordinariamente parecida com Eva Braun) são os personagens centrais desse romance que, muito provavelmente, deixará o leitor, certamente, estarrecido, diante das possibilidades e dos acontecimentos apresentados…

“Na terra de ninguém do ‘Muro de Berlim’, cada um dos citados personagens terá sua vida alterada pela descoberta do Sétimo Segredo.”

KEN FOLLET
OS PILARES DA TERRA

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

Ao começar a resenha de “Os Pilares da Terra”, fiquei pensando por qual tópico iniciaria meus comentários…bom, decidi pelo aspecto mais interessante de qualquer obra de Ken Follett: A sua impressionante capacidade de remeter o leitor exatamente p´ro período histórico que ele deseja. Na citada obra, comprova-se uma famosa frase citada por ele, quando perguntado sobre “o gosto por escrever livros de entretenimento”, onde o mesmo respondeu: “O principal desafio para um escritor de ficção, é criar um mundo imaginário e então arrastar o leitor para lá. E é isso que eu gosto de fazer”. E foi exatamente o que aconteceu comigo quando li “Os Pilares da Terra”.

A história se passa no interior da Inglaterra do século XII, durante a construção de uma catedral gótica e os vários personagens envolvidos direta e indiretamente na construção da mesma. Durante essa construção (que dura duas gerações), personagens encontram-se (e desencontram-se) numa história repleta de acontecimentos que, se não fosse a documentação histórica de fatos ocorridos naquela época para mostrar veracidade, poderiam nos parecer inverossímeis.

Miséria, perseguições da igreja, estupro, luta pela sobrevivência, bruxaria, ódio, vingança, desejo, erotismo, paixão e amor, são alguns poucos ingredientes que preenchem essa grandiosa narrativa. É um daqueles livros que, quando estamos lendo, contraímos o rosto, de acordo com a situação que está ocorrendo na página. E quando não o estamos lendo, ele nos ocupa os recônditos da memória. Isso porque, diferentemente de outras obras, em “Os Pilares da Terra”, nos envolvemos na história como um “todo”, não somente na expectativa de descobrir um “final”, mas sim de querer saber sempre mais, de um meio, que conduz a um BELÍSSIMO fim..Um livro que está longe de possuir um ritmo a la “O Código da Vinci”, pois sua magnitude está justamente em conduzir o leitor, pelas mãos, a um tempo e um lugar impressionantes. E o que se tira disso tudo????

Basta ler para saber….

Serviços: “Os Pilares da Terra” – Follett, Ken – Editora Rocco.