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Cinéfilos

JOÃO UBALDO RIBEIRO

VIVA O POVO BRASILEIRO

Não posso fazer uma simples resenha deste livro. Não dá pra resumir o livro. Não da para explicar totalmente o livro. João Ubaldo Ribeiro fez com que eu praticamente chorasse em vários momentos do livro. Um livro que conta realmente como eram tratados os negros no nosso Brasil. Conta como os nobres aqui viviam. O livro narra paralelamente a história da família do Barão de Pirapuama que por sua vez mistura-se com os Ferreira-Dutton de Amleto Henrique. Não temos personagens principais, temos uns mais marcantes que outros. Uns fazem-nos chorar, outros pensar, outros fazem-nos rir.
Mostra como Maria Dafé quis melhorar a vida do povo. Ela acordou para seu povo, quando teve sua mãe morta, com mais de vinte punhaladas, na sua frente. A Irmandade de qual ela pertencia e muitos outros sofridos brasileiros pertenciam sem saber que pertenciam, diziam que fora criada por três negros numa casa de farinha na ilha de Itaparica.
A decadência de um país é totalmente descrita e ridicularizada no livro. Homens, como Bonifácio Odulfo, que achavam que caixeiros, açougueiros, sapateiros, ferreiros, e muitos outros profissionais que exerciam seu trabalho para viver, não poderiam ser chamados de povo, era repudiado pelo próprio irmão Patrício Macário; um deserdado de sua família que fora para o Exército para tomar jeito, também resolve ver o mundo de outra forma, após conhecer Maria Dafé; dizendo que ele e sua corja é que eram estrangeiros europeus, que cá não viviam, que tinham vergonha de falar até a própria língua, estes sim, não eram o povo brasileiro.
Não há como poder falar sobre a grandiloqüência de João Ubaldo neste livro. Creio realmente ser o melhor entre todos os seus livros lidos por mim; e que inúmeras pessoas também o acham. Ele retrata a cara do povo. Retrata o Espírito do Homem, de onde viemos, como viemos e porque vivemos da forma que vivemos. Sempre existirá explorados e exploradores, mas se o povo brasileiro não se unir não haverá formas de combater o mal.
Em uma determinada canastra eram guardados todos os segredos do nosso povo pela Irmandade. Sempre as maiores figuras combatentes para a vida digna de nosso povo foram responsáveis por tal. Tanto é que depois de muitos séculos tendo se passado, e muitas coisas terem sido guardadas, a canastra eis que nos mostra o futuro perante três ladrões, que vieram roubá-la no dia em que Patrício Macário morre, e não conseguem agüentar olhar dentro da canastra por muito tempo, porque nela é guardada o futuro. Nela pode se ver crianças morrendo, estrangeiro mandando aqui, guerras, e vêem, imaginem só, uma corrupção indestrutível que aqui ocorre desde que por aqui chegaram os portugueses. Os ladrões deste futuro, piores que os três, andam de gravata de seda, alfinetes de brilhantes, abotoaduras de pérolas e outras coisas que aumentam seu porte fino.
A casa de farinha se definha sendo comida pela terra. Que não suportou ver tanta miséria prevista pela canastra. O futuro mesquinho estava traçado, e cá estamos nós vivendo ele. E como diria Maria Dafé, Julio Dandão, Negro Budião, Zé Popó, Patrício Macário e muitos outros levantando o braço com punho fechado:
Viva o povo brasileiro!

Serviços: Ribeiro, João Ubaldo. Viva o povo brasileiro: romance / Rio de janeiro: Nova Fronteira,1a ed., 1984.


DIÁRIO DO FAROL

“Quando a falsidade deixar o mundo, ele sobrará somente para poucos, mas sobreviverá esplendidamenet, o homem é o câncer na Terra.”

Define-se assim o ser humano para o faroleiro que vive isolado em uma ilha, cuidando apenas do seu farol.

João Ubaldo Ribeiro é conhecido por ser um autor que tem senso de humor um pouco elevado, como nos livros Livros de Histórias, Sempre aos Domingos, o próprio romance Sargento Getúlio é hilário.

Mas desta vez João se superou. Escreveu um livro no qual, muitas pessoas achariam que não poderia vir de sua magnitude.

O homem no qual se define somente falar a verdade neste livro, diz que tem vergonha de ser, um ser humano. Pois para ele não passamos de meros idiotas. Para o faroleiro, não existe Bem e Mal. Os dois são uma coisa só. Não podemos distinguir o que é o bom ou o ruim.

Este ser diz que somos todos iguais. Ele não nos prova, mas faz vermos que somos todos iguais. Porque? Porque todos nós gostamos das maldades do mundo. Todos nós já praticamos alguma coisa maléfica para alguém. Ele acha que nós escondemos a verdadeira personalidade, que seria possuir o mal dentro de si já enraizado, com raízes tão profundas que nunca poderíamos libertar-nos delas.

Por um segundo eu acreditei no que ele nos diz em sua narrativa. Acreditei tanto que até agora estou na dúvida se realmente não somos mesmo o que ele diz sermos.

Diga –me. Qual o ser humano que não para na frente da tevê para ver uma catástrofe? Qual ser não para na frente de um quadro que mostra uma pessoa sendo queimada como nas inquisições? Qual ser que nunca quis ver outro da sua mesma espécie, ali morto à sua frente? Quem não quis é porque ainda não teve oportunidade de pensar no assunto.

O que este homem quer nos mostrar, é como a sociedade abraça as maldades, digamos assim, desse mundo. Onde uma criança criada por um pai que não o tinha como filho, cresce inflando seu ódio dentro do peito para mais tarde vir ter a vingança esperada. Onde um amor perdido pode fazer com que ele busque o poder, para destruir aquele amor que não pode ter para ele. Onde um adolescente vivendo em seminários vive tudo que se passa por detrás das cortinas, para se tornar um padre. Este ser viveu até o momento para destruir todos que quisessem opor-se a ele.

A vingança é algo que está dentro de cada um de nós. Se não quiseres crer nisto, não creia.

Mas pode ter certeza, que você também faz parte desta sociedade.

Editora: Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 2002, 302p.

7 respostas para 'JOÃO UBALDO RIBEIRO'

  1. Lia Diz:

    Pra quem ama Literatura como eu…esse é o lugar perfeito!!!
    Adorei td e vou linkar vcs,ok?
    Abraços bem carinhosos e boa semana.

  2. Vladimir Diz:

    Muito obrigado Lia, e volte sempre. :)

  3. Eliane Maria de Oliveira Giacon Diz:

    Estou reunindo textos impresos( artigos de revista, resenha, teses, dissertaçõese e artigos da crítica) sobre a obra de João Ubaldo desde 1963 até o presente momento. Quem souber de fontes, por favor, envie os dados para este e-mail giaconeliane@uems.br

  4. mariana oliveira Sant´Anna Diz:

    O livro “viva o povo brasileiro” o ínicio é pouco confuso,mais depois melhora…RSRSRSSRSR uma boa obra…

  5. nivaldo pereira gois Diz:

    esse livro traz uma conscientização e comoção para todos que lêem

  6. paulo pereira Diz:

    esse livro é de otário e um abração jacobina a cidade do ouro

  7. Camila Alves Diz:

    Perfeito a obra estou apaixonadissima pelo o contexto!!!