Arquivo de maio de 2006

O APRENDIZ DE MORTE

sábado, 27 de maio de 2006




Discworld (Mundo do Disco) é o mágico mundo criado pelo ex-jornalista (Graças ao Cego Io) Terry Pratchett ainda na década de 80 e que hoje já possui uma série de mais de 25 títulos. O autor, mistura em sua obra, fantasia (dragões, magos, bruxas, ogros etc), com o melhor e mais refinado humor negro inglês, bem semelhante ao realizado por Douglas Adams no “Guia do Nochileiro das Galáxias” e do grupo Monty Phyton.
No quarto livro da série, intitulado no Brasil de “O Aprendiz de Morte”, Pratchett dedica o livro a um de seus mais geniais (e sempre presente em todos os livros) personagens, o próprio MORTE, que aqui busca um aprendiz para aliviar o extress de ser aquele que todos sabem que vão encontrar, mas mesmo assim nunca o esperam e sempre fingem surpresa em sua chegada. Mortimer, mesmo sendo um jovem desajeitado e pouco inteligente, morador de uma pequena vila, seria esse aprendiz perfeito.
Inicia-se então, uma das mais divertidas e hilárias histórias do disco, com direito a um golpe de estado estranhamente mal sucedido, alteração na realidade espaço temporal, morto que teima em não morrer, a insatisfação do trabalhador mais eficiente de todos os tempos com seu trabalho, e claro o fim do mundo e um montão de mortes , já esperado em um livro protagonizado pelo “cara que surgiu no universo antes do surgimento da própria Grande A’Tuin (imensa tartaruga que viaja pelo universo com 4 elefantes em cima do seu casco, que por sua vez carregam o Discworld em suas costas) e que só irá embora, segunda um metáfora de sua própria autoria, “depois da saída do último freguês e de colocar as cadeiras em cima das mesas e varrer o estabelecimento”.

Serviços: PRATCHETT, Terry. O Aprendiz de Mort “Mort”. [Tradução: Roberto DeNice]. São Paulo, 2002. Editora Conrad.

O CÓDIGO DA VINCI

sexta-feira, 19 de maio de 2006




O best seller do momento O Código Da Vinci nada tem de original. Além do amontoado de clichês holywoodianos em um romance policial, as especulações acerca da vida de Jesus Cristo, Maria Madalena e do que seja o Santo Graal já haviam sido discorridas pela pena de outros escritores que como Dan Brown, autor do livro, tiveram o único objetivo de lucrar.

A teoria de que o Cálice Sagrado é um símbolo do feminino para representar a vagina são de 1920 da inglesa Jessie Weston, e a que afirma o matrimônio entre Jesus e Madalena seguido de uma prole, estão presentes no livro O Santo Graal e a Linhagem Sagrada, primeiro fenômeno pop sobre o tema, de 1983, dos autores ocultistas Michael Baigent e Henry Lincoln, que incluem também sociedades secretas como a Maçonaria e Rosa-cruz. Já na década de 1990 foi a vez de um certo Peter Berlinger lucrar com o seu best seller Os Filhos do Graal. Tendo isso em vista e por isso, O Código da Vinci aparenta ser muito mais uma cópia levemente alterada do assunto para os nossos dias do que uma intertextualidade com essas obras.

Um ponto capital que deve ser comentado são as citações de obras de arte do renascentista Leonardo Da Vinci para fincar a trama ao mesmo tempo que tenta ilustrar a obra, esse quesito não a qualifica como boa literatura, como nos faz crer algumas resenhas, isso demonstra unicamente bom conhecimento de arte por parte do autor, o que nem de longe o torna bom escritor. Outra questão importante a ser apontada é a total ausência de teor filosófico sobre a condição humana do fundador do cristianismo, marca presente em A Última Tentação de Cristo do escritor grego Nikos Kazantzakis, transformado em filme homônimo por Martin Scorcese e citado em certa passagem de O Código Da Vinci. O que há são meras especulações sobre a vida do Messias, sem apresentar bases científicas mais sólidas.

A leitura do romance só se sustenta devido a uma enxurrada de enigmas desvendados página a página numa junção de episódios seqüenciados, enfocando demasiadamente o enredo em detrimento de uma possível análise psicológica das personagens.

O amontoado de clichês se refere a uma cinematográfica intriga policial, uma “implacável” perseguição a dois suspeitos de assassinato: O professor de Havard Robert Langdon e a criptógrafa Sophie Neveu, neta do curador do Louvre Jacques Saunière assassinado no início da ficção, casal este que protagoniza a história e tenta a um só tempo desvendar um segredo milenar – guardado a sete chaves por sociedades secretas como os Templários e o Priorado de Sião e de conhecimento também do Vaticano que teme a sua revelação aos fiéis – e provar sua inocência. Da metade do livro adiante, porém bem antes do epílogo, é possível descobrir o tal segredo milenar, quem é o vilão que a distância manipula seus títeres e todos os outros “problemas” sugeridos ao longo da trama.

Quanto às personagens, quando não são inverossímeis – a exemplo do próprio enredo exageradamente conveniente – são bastante superficiais, cedendo lugar ao maniqueísmo. Vide os protagonistas, autênticos estereótipos: O intelectual desajeitado: Robert Langdon e a mocinha destemida que esconde um trauma: Sophie Neveu. O outro exemplo é o do secundário Bezu Fache, “capitão da diretoria central da polícia judiciária” francesa, sujeito durão e perfeccionista no melhor estilo Tommy Lee Jones no filme O Fugitivo.

Há ainda os antagonistas: o vilão cognominado “o mestre”, que só revela sua verdadeira identidade nos previsíveis momentos finais da história como sendo o também intelectual Sir Leigh Teabing, historiador da coroa britânica e demente obcecado pelo Graal, cujas ordens são obedecidas prontamente pelo fanático religioso Silas, que nas horas vagas se autoflagela e que não mede esforços na defesa dos interesses políticos de sua igreja. Assim os personagens, sem vontade própria, já que tudo conspira favorável aos bons e desfavoráveis às forças que se opõem a estes, ficam a mercê da trama, como se levados por ela a seu bel prazer. Trata-se na verdade de uma leitura de entretenimento direcionada a um público leitor iniciante e nada exigente, e atribuir maiores qualidades ao livro é superestimá-lo.

Em outras palavras O Código Da Vinci não passa de literatura pré-fabricada e vendida a um amplo mercado consumidor ávido por uma leitura fácil, vazia e efêmera. No caso de Dan Brown ele parece se utilizar de moldes muito semelhantes para tecer seus livros. O outro romance do autor, Anjos e Demônios, é também uma trama policial envolvendo sociedades secretas, Vaticano e Robert Langdon, já o seu próximo livro é sobre sociedades secretas, Washington e ao que tudo indica, Robert langdon.

Serviços: Brown, Dan. O Código Da Vinci. São Paulo: Sextante, 2005.

DICA: Quem se interessar em ler a crítica do filme no Blog NEM TODOS SÃO ARTE, é só clicar AQUI .

A REVOLUÇÃO DOS BICHOS

terça-feira, 9 de maio de 2006




A revolução acontece na Granja do Solar, que mais tarde virá a se tornar Granja dos Bichos. Major, um porco de doze anos, sonhara como todos os bichos poderiam sair da escravatura imposta pelos humanos, seus donos, para serem livres. Diz ele que tem que se fazer uma revolução e ser posta em prática o Animalismo, uma analogia ao Comunismo.
Onde todos os bichos irão trabalhar para si próprios e que não precisariam serem escravos nunca mais dos seres humanos. Major morre, Bola-de-Neve e Napoleão, dois porcos que ficaram por cuidar das idéias do Major, põem em prática a idéia do Animalismo.
Certo dia, os donos da Granja ficaram sem alimentar os animais e estes se revoltaram e tentaram invadir o depósito onde os alimentos se encontravam. Mas Jones e seus ajudantes viram a invasão dos animais e saíram a chicoteá-los. Os animais foram à luta e quando eles menos esperavam conseguiram colocar os donos, Jones e sua mulher, para fora da Granja do Solar.
Começa então uma nova vida para os bichos. Todos irão para o campo trabalhar, o trabalho será dividido igualmente, e o fruto deste trabalho também. Os porcos, os únicos que sabiam ler e eram tidos como os animais inteligentes da Granja, ficaram responsáveis pela organização da nova comunidade. Tudo vai correndo bem. A Granja do Solar tivera seu nome mudado para Granja dos Bichos e fora até fabricada uma bandeira verde com um chifre e uma ferradura no centro da bandeira, tendo este símbolo como símbolo do Animalismo. Vejam que até na bandeira Geroge Ornwell faz alusão ao Comunismo.
Intrigas virão entre Bola-de-Neve e Napoleão, este por sua vez irá expulsar Bola-de-Neve da Granja por não aceitar as idéias de Napoleão. Aos poucos a escravidão vai ressurgindo. Só que agora os animais não trabalham mais para os humanos e sim para os porcos. Antes os animais que tinha aversão aos seres humanos vão transformando-se iguais a eles. Vai surgindo uma desigualdade social na Granja, onde os cachorros e porcos serão, digamos, um nova burguesia e os demais bichos seus escravos.
Os mandamentos que foram criados pelos porcos, os sete, aos poucos vão sendo modificados por ordens de Napoleão. Vai sendo feita também uma certa lavagem cerebral nos bichos. Tendo-se em vista que estes animais não possuem memórias muito boas como as dos porcos, estes inventam inúmeras histórias. Por exemplo, que fora herói da luta pela revolução fora Bola-de-Neve, mas aos poucos, os porcos fazem com que Bola-de-Neve seja visto como traidor dos animais.
O livro é de uma extrema crítica, que fique claro, não às idéias do Comunismo, mas ao totalitarismo que fora posto em prática por Stálin. Tanto é tamanha crítica a URSS, que temos Major como Lênin, Bola-de-Neve como Trotsky e Napoleão como Stálin. Quem conhece um pouco sobre a revolução ocorrida na URSS irá ficar de queixo caído de como Geroge Ornwell faz com que uma revolução feita pelos homens seja igualmente possível ser feita por seus bichos.
O final do livro é uma coisa esplendorosa, que nos mostra que podemos até tentar mudar o modo de sociedade, mas o ser humano não muda, tanto é que os porcos que viviam em luta com os homens, seus eternos inimigos, tornam-se iguais na sua podridão humana.

Serviços: ORWELL, George. A Revolução dos Bixos. Ed. Globo.

OS OLHOS DO DRAGÃO

terça-feira, 2 de maio de 2006




Para quem curte aventuras ambientadas em um mundo medieval, com certeza vai adorar esse livro, isso porque, ele tem as características dos contos de fadas misturadas com as emoção e suspense dignos do autor, Stephen King.
É isso aí, acredito que todos nós estamos acostumados a ligar o nome de King a filmes e livros de horror e suspense, mas o autor se mostra mais versátil do que o imaginado, como demonstrou em Um Sonho de Liberdade, filme cujo roteiro é seu e também no livro que apresento agora. É bem interessante a história do livro, a história foi escrita especialmente para a filha de King, Naomi, que já havia deixado bem claro para o pai, que o amava muito, mas não estava nem um pouco interessada em seus demônios, vampiros e criaturas rastejantes, isso mexeu com o autor, que decidiu escrever algo que conquistasse a menina. Uma certa noite começou a rascunhar a trama, que no início se chamaria O Guardanapo, quando terminou passou para a menina ler, a reação não poderia ter sido melhor, ela o abraçou e disse que não queria que a história tivesse terminado, nada melhor para um autor escutar. Mas afinal, que história é essa? Tudo bem, deixe-me guia-lo querido(a) leitor(a) por mais esse mundo fantástico.
Como disse antes, esse livro tem as características de um conto de fadas clássico, aventuras com dragões, príncipes valentes e mágicos maus, só que com a pitada de suspense típica de Stephen King. Tentem imaginar o que vou relatar agora:
“(…)A passagem através do castelo é esfumaçada, sentida por alguns e percorrida por uma só pessoa. Flagg conhece bem o caminho. Em quatrocentos anos, ele caminhou muitas vezes, com muitos disfarces, mas agora a passagem serve ao seu real propósito. Através de um orifício escondido na parede, o mago da corte observa o rei Rolando, velho, fraco, mas ainda um rei. O tempo de Rolando está quase terminando, apesar de o jovem príncipe Pedro, alto e bonito, todo um porte real, estar apto e receber o reino.
Ainda que um pequeno camundongo seja capaz de sacudi-lo, um camundongo que se arrisca a pegar um grão da “areia-do-dragão” atrás das estantes de Pedro e morre chorando lágrimas de fogo e expelindo uma fumaça cinza. Um camundongo que morre tal qual o rei Rolando. Flagg viu tudo e sorriu, pois o príncipe Tomás, um garoto ainda, facilmente servirá aos desejos de Flagg, governar o reino. Mas Tomás tem um segredo que transforma os seus dias em pesadelos e suas noites em ladainhas para o esquecimento. O último raio de esperança repousa no alto do obelisco, a prisão real onde Pedro planeja uma audaciosa escapada(…)”.

Escrevendo com a agilidade e força que fascina milhões de leitores, Stephen King transforma uma história que no início da leitura parece ingênua e até meio infantil, numa obra-prima de ficção que cativará leitores de todas as idades, é incrível como se percebe claramente a transformação da trama conforme se ler, a história se desenrola no ritmo da tomada de fôlego de uma fera antes de do ataque fatal. Então se arrisque e leia, descubra o que se pode ver através dos olhos de um dragão.

Serviços: KING, Stephen. Os Olhos do Dragão “The eyes os the dragon”. Editora Objetiva.