O ETERNO MARIDO

Alguns dizem que o livro é um dos livros mais leves de Dostoievsky, sinceramente não acho assim tão leve. Certos críticos dizem que o livro não tem muitas questões filosóficas e existenciais, mas vos pergunto se um homem do subterrâneo não é um homem com problemas filosóficos e existenciais. Para quem conhece o livro “Memórias do subsolo”, sabe muito bem do que estou falando. Veltchaninov é um homem do subterrâneo, entende-se então que ele tem problemas dos tipos aqui relatados sim.
Dez anos após tendo deixado sua amante para trás, sem saber se estava realmente gravida ou não, ele tende a encontrar o homem que ele traiu. Este por sua vez aparece com uma criança. Veltchaninov sabendo que Pavlovitch, o homem traído, tem uma filha, logo consegue imaginar que aquela seria sua filha.
A amizade que esses dois tiveram tempos atrás nos parece ter sido sincera para um lado. Quando eles voltam a se encontrar numa madrugada, em que nosso homem do subterrâneo não consegue dormir, finalmente Veltchaninov irá descobrir quem era o homem que o perseguia; ou como ele pensava, ele é quem perseguia este homem.
Neste momento do livro, um suspense começa. A conversa entre os homens vai fluindo, o encontro acaba-se, e a partir daí a neblina fica pairando sobre o livro. Sim, uma neblina paira sobre as linhas do livro, porque Pavlovitch é um irônico, fazendo temermos se realmente ele já sabe de tudo ou não. O modo como as conversas entres os dois homens acontecem é de suma importância serem lidas com toda a atenção possível.
Nosso querido Dostoievsky nos mostra alguns sintomas declarados por seu homem do subterrâneo em Memórias do subsolo, como quando Veltchaninov geme pelo prazer, em sabermos que ele é totalmente melancólico e doente, e ele também possui o gosto pelo paradoxo que creio ser típico do homem do subterrâneo.
Veltchaninov tem Pavlovitch como um “eterno marido”, mas depois vê que ele é sim um “tipo feroz”. Pavlovitch porém, declara-se como sendo um “eterno marido”. Posso terminar por dizer que este livro é sim uma leitura agradável de se ler e que em momento algum foi feito para nos entreter e sim, para aprendermos mais com os monstros que convivemos todos os dias. Assim dizia Veltchaninov:
Serviço: DOSTOIÉVSKI, Fiódor. [Tradução de Mariana Guaspari]. Ediouro.
*Devo dizer que o livro que li deste editora possui vários erros de escrita, portanto aconselho ler o livro publicado pela editora 34, com traduçao de Boris Schnaiderman, pois ele não nos deixa a desejar em suas traduções.
8/03/06 às 16:38
Sou um grande apreciador da obra de Dostoievski, mas esse livro ainda não tive o prazer de ler. Acho que vi algo sobre ele já ter sido adaptado para o cinema em um filme estrelado pelo Marcelo Mastroiani.
2/07/06 às 11:09
Eu concordo em gênero, número e grau com este texto. Eu li O Eterno Marido, editora 34, que é impecável! Os aspectos psicológicos dos personagens, os diálogos fortes e inteligentes, o suspense, ingredientes perfeitos para uma obra maravilhosa! Eu sou simplesmente apaixonada pela obra de Dostoiévski, e O Eterno Marido não deixa nada a desejar.
7/03/07 às 19:12
li crime e castigo, mas me intigou a narrativa final!
“O mais monstruoso dos monstros é o que tem bons sentimentos”.
será?
14/03/07 às 7:15
Ando a ler agora.. Espero acabar nos próximos dias..
22/10/07 às 5:55
Estou lendo. Já “consumí” as primeiras 10 páginas. Interessante obra.