Arquivo de fevereiro de 2006

GEORGE ORWELL
1984

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006



George Orwell é o nome dele. O primeiro livro que leio deste grande homem. Sim, digo isto porque um ser humano que escreve o que ele escreveu, sobre a sociedade do ser humano, deve ser ovacionado por horas, se não dias. Uma critica ao capitalismo, ao imperialismo e ao poder. Incrível no que o mundo se transformou. Dividido em três super potências: Oceania, Lestásia e Eurásia. Onde neste mundo existe uma guerra contínua, e que esta guerra por ser contínua, não significa nada.
Winston é uma falha na sociedade em que ele vive. Um homem de quarenta anos que começou a onze anos atrás a criar coragem para pensar. O medo era grande de pensar, porque qualquer coisa de errado que acontecesse em seu hábito, a Policia do Pensamento poderia prende-lo. Não no mesmo instante, mas talvez dentro de dias, de meses ou até mesmo anos. E é o que acontece com ele. Vigiado por sete anos, ele vem a ser descoberto quando pensa estar participando de algo que é contra o Partido, algo contra o Grande Irmão.
Esta sociedade na qual Winston vive é algo que não poderíamos conceber em nossa sã consciência, mas temo que depois ler este livro, começaremos a temer que isto possa sim um dia vir a acontecer. Uma sociedade onde não se pode pensar, onde o ato sexual não é permitido por não admitir que com a relação as pessoas possam vir a sentir algo de emocional. Não existe passado, pois o passado fora modificado pelo Partido e tudo que acontece neste determinado presente é o que sempre aconteceu. Todos os registros foram modificados pelo Partido e sempre que é preciso continuam a modificar o que quer que seja para continuarem com seu sucesso. Já não existe mais nenhum tipo de literatura, nem um tipo de arte, nada.
Winston é preso pelo Partido. Ele é enganado e caiu em mais uma das artimanhas que o Partido tem. No decorrer de dias, meses, ele é submetido a inúmeras torturas, chegando a ficar parecido com um esqueleto semivivo.
A existência do ser humano já não é mais do modo que fora, é pior. Existem os “proles”, os quais são chamados assim porque não participam do mesmo tipo de sociedade que Winston participa, mas são cúmplices completamente imbecilizados pelo Partido. Os proles, somos nós.
Orwell faz-nos pensar. Faz com que sejamos um Winston em determinada sociedade para que experimentemos o que irá nos acontecer. Ele nos transporta da realidade para dentro do corpo de Winston. Ficamos aflitos, assustados, desencorajados. E no término de tudo acontece o que acontece hoje em dia. Nós não realizamos nada.

Serviços: ORWELL, George. 1984.

HORIZONTE PERDIDO

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006





Em “Horizonte Perdido”, James Hilton cria uma utópica localidade, um lugar mágico entre as belíssimas e inacessíveis montanhas congeladas do Tibet, onde pessoas de diversas nacionalidades diferentes vivem de forma livre e desabusada, partindo do princípio do uso da moderação em todas as suas atividades e atitudes. Shangri-La é a espécie de Neo-Eden que dá o nome desse sonhado local.
A obra de Hilton reflete perfeitamente toda a instabilidade política e econômica do momento. O mundo vivia um período de forte depressão impulsionada pela quebra da bolsa de Nova York, além da instabilidade político/militar pós primeira grande guerra mundial. Shangri-La seria então, um refúgio, um local onde poucos privilegiados poderiam conhecer. Mas será que o homem está pronto para isso? Essa é uma questão que Hilton de certa forma responde, mas para saber você terá que ler o livro.
Uma obra que todos deveriam conhecer, já que todos nós, mesmo que em apenas alguns determinados momentos da nossa vida, buscamos a tranqüilidade e paz de um local como Shangri-La.

Serviços: HILTON, James. Horizonte Perdido. “Lost Horizon”. [Tradução: Fco. Machado Vila e Leonel Vallandro]. Editora Abril Cultural, SP – 1980.

ASSASSINATO NA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006




Parece que está virando moda escrever livros sobre assassinatos não acham? Mas não creio que essa moda tenha atingindo Jô Soares. Assassinatos na academia brasileira de letras é um livro que não nos faz parar de lê-lo quando começamos em tal empreitada. Ao contrário de certos escritores (como Dan Brown) Jô não escreveu um livro para entreter-nos, mas sim para nos contar uma história bem contada e com uma certa pitada de humor. Sim, pitada. Porque realmente o livro me fez rir, mas infelizmente em três momentos. Mesmo assim o livro não perde a beleza da qual o Rio de Janeiro dispunha na década de vinte.
Devo ressaltar que o autor de tal livro nos engana muito bem, quando pensamos saber quem vem a ser o assassino de tais imortais. Com certeza eu não teria desconfiado da pessoa certa, se minha curiosidade de ler sempre as últimas palavras de todo livro fosse tão grande. (Tenho essa mania de sempre ler as palavras finais dos livros).

Por coincidência, uma coisa na qual nosso policial não acredita, eu vim a descobrir quem era o assassino. Venhamos e convenhamos, Machado Machado, o policial que cuida do caso dos mortos imortai,s não acredita na coincidência, mas o modo como ele descobre tais pistas para chegar até o assassino é, sinto em ter que dizer isso mas, coincidência.

Devo confessar que nos três livros lidos por mim de Jô Soares: O xangô de Baker Street, Quem matou Getulio Vargas e Assassinatos na academia brasileira de letras, devo dizer que o que mais gostei foi o no qual Sherlock Holmes participa, o do xangô.

O livro é agradável de se ler, apenas às vezes temos que ir até o dicionário, o que é bom. Porém só fiz elogios, mas acho que deveria ter sido mais rude. Infelizmente não sou bem a pessoa certa pra falar de Jô Soares, mas mesmo assim existira momento do livro que achei uma literatura fraca. Não pelo que ele nos fornece sobre envenenamentos e sobre o Rio de Janeiro, mas porque creio que faltou algo de essencial em seu livro que não sei dizer.

Acho que não devo mais falar sobre o livro, porque falar sobre livros que envolvem assassinos que sempre tentamos descobrir, é um pouco ruim de comentar sobre tais. Mas creio que Jô tenha pecado em algo. Colocar o velho clichê de um casal e que descobrem juntos toda a trama. Ele poderia ter sido maior do que isso e é tudo.

Serviços: SOARES, Jô. Assassinatos na Academia Brasileira de Letras. Companhia das Letras, SP. 2005.