Arquivo de janeiro de 2006

O FABULOSO MAURÍCIO E SEUS ROEDORES LETRADOS

terça-feira, 31 de janeiro de 2006




Você já imaginou um rato que adoro shows e sapateado? Ou um rato que lidera uma equipe especialista em desarmar ratoeiras? E que tal um gato falante que controla um grupo de ratos letrados? E se todos eles quisessem na mais ficar a parte da nossa sociedade, mas se tornar membros presentes e atuantes, competindo de igual para igual com os seres humanos? Loucura? Se você acha isso então não conhece o mundo criado pelo escritor inglês Terry Pratchett, onde tudo é possível.
Apesar dessa aventura fabulesca se passar no tão incrível e sedutor mundo em forma de disco criado pelo escritor, não faz parte da série de livros lançados anteriormente e posteriormente e que recebem a marca Discworld, a história se passa no mesmo ambiente, mas deixa de enfocar, magos e bárbaros para se concentrar no mais estranho grupo que já surgiu nas páginas de um livro.
Maurício é um gato falante que aparentemente lidera um grupo de ratos igualmente falantes e que também sabem ler, (os ratos tem um opinião diferente sobre quem lidera quem.) eles viajam de cidade em cidade recolhendo dinheiro para um dia quem sabe ir para seu tão almejado paraíso, uma ilha deserta, onde os ratos pudessem viver em paz. Para conseguirem o dinheiro, eles contam com a ajuda de um, literalmente, garoto-com-cara-de-bobo, que tem como maior habilidade saber tocar flauta, pronto, aí está a fórmula para se conseguir dinheiro, um gato, vários ratos e um garoto flautista, entendeu? Não? Então procure se lembrar de uma outra história famosa, a do Flautista Mágico, sacou? Ainda não? Beleza, vou explicar, a história do flautista mágico fala sobre uma cidade empestada de ratos, para se livrar da praga, os cidadãos pagam a um flautista para com sua flauta encantada levar os ratos para fora da cidade e afoga-los no rio mais próximo, o que Terry Pratchett faz é pegar essa mesma história só que pela visão dos ratos e de quebra, de um gato também, sendo que eles estão no comando do flautista. Entendeu agora? Toda as cidades por onde o garoto passa, incrivelmente se tornam repletas de roedores indesejáveis e quem surge para salvar os cidadãos desesperados? O garoto-com-cara-de-bobo e toda essa conspiração vem de dentro da cabeça imaginativa de Maurício, ou melhor, do Fabuloso Maurício.
Nessa louca aventura, vamos conhecer criaturas simples, mas fantásticas, que durante a narrativa se mostram tão humanas ou mais humanas que muitas pessoas e que nos dão uma grande lição sobre amizade e como não devemos nunca desistir de nosso sonhos, assim como, da fantasia, que costumamos abandonar conforme crescemos. Pratchett é genial e narra de maneira fluente e agradável, tornando este livro um de seus melhores, que conquistará você desde a primeira página e faze-lo sonhar com seus novos companheiros de trapaças e trapalhadas.
Só mais uma coisa para incitar ainda mais sua curiosidade, os ratos citados no livro escolheram nomes bem exóticos, tipo: Bronzeado Intenso, Perigoso Feijão e Não Entre, consegue imaginar o porquê?

Serviços: PRATCHETT, Terry. O Fabuloso Maurício e Seus Roedores Letrados. “The Amazing Maurice and his Educated Rodents”. [Tradução: Ricardo Gouveia].Editora Conrad, SP - 2004.

GABRIEL GARCIA MÁRQUEZ
VIVER PARA CONTAR

segunda-feira, 23 de janeiro de 2006




Viva e depois conte-as. Sobre o que estou falando? Memórias, falo de memórias. Viver para contar é o livro de memórias de Gabriel Garcia Márquez. Depois de muitos livros escritos, ele resolveu somente agora publicar suas memórias, logo agora que ele nos diz que está perdendo as lembranças, e que estas misturam-se com a realidade e os sonhos, acabando por não poder distinguir sobre realmente o que viveu. Um de seus irmãos mais novos disse a ele uma frase na qual ele concordou, e tive que concordar também, ele disse que memórias deveriam ser escritas antes de todos os outros livros, enquanto ainda tem-se suas memórias guardadas.
O livro começa quando sua mãe reaparece pedindo a ele que a acompanhe para venderem sua antiga casa. No momento em que Gabito a vê, quase não a reconhece. A partir daí Gabo começa a relembrar sua infância, onde estudou, os amigos que teve, dos professores que muito lhe ajudavam, não por tirar boas notas, mas por ter um aspecto diferente de todos para com os livros. O livro é cheio de idas e vindas. Em determinado momento ele está falando de sua vida, no outro como começou na sexualidade, no outro como entrou para o jornalismo, e o leitor que não estiver atento irá se perder com certeza em suas lembranças, que por sinal são muito interessantes.
Garcia faz vermos que existem fatos de sua vida que se misturam com seus personagens dos livros. Como em Cem anos de solidão, em que um dos Buendía fabricava peixinhos de ouro e no livro de memórias ele relata que seu avô também fabricava, são nesses momentos de “coincidência” que Gabriel já não sabe o que é realidade e fantasia.
O livro é de um aspecto intrigante, possui um conteúdo jornalístico, possui sua eterna ficção fantasiosa, mas mesmo assim o livro tido como de memórias, também não deixa de ser um romance. Realmente Gabriel Garcia Márquez é com certeza um dos melhores no que faz.

APRESENTAÇÃO: Orgulhosamente apresentamos a participação de mais um grande amigo nesse nosso espaço. Seja Bem vindo Nathan, e que essa nossa parceria seja bastante produtiva e duradoura.
Agora somos O quinteto!


O EDITOR

ANGUS: O GUERREIRO DE DEUS

terça-feira, 17 de janeiro de 2006




Para mim, essa grandiosa obra do autor Orlando Paes Filho, pode ser resumida em dois distintos aspectos: Um livro com uma espetacular pesquisa histórica, cheia de detalhes sensacionais e de uma grande preocupação em relação à reconstituição da época trabalhada. Já por outro lado, temos em Angus, uma obra literária das mais cansativas, com personagens chatos e construídos em cima dos mais cansativos clichês.
No segundo volume da série de 7 livros, o personagem Angus sai de sua terra natal guiando uma parte do seu clã, à Escócia, em busca de Deus na Terra Santa. Quando o grupo é atacado por saqueadores e quase todos os seus companheiros são barbaramente mortos, ele acaba ficando sobre a proteção de grupos de cavaleiros como os Templários e os Hospitalários. E é essa proteção e esses aliados que dão a Angus a sua maior alegria, o encontro da espada sagrada de seu avô Sean MacLachlan, Gaoth Cerridwen, que se tornou uma relíquia cristã, entre as milhares existentes que serviam para motivar os exércitos dos cruzados e os demais fiéis.
A história se passa durante a segunda cruzada, quando vários Reis Europeus cobiçavam tomar Jerusalém e todos os condados do caminho das mãos dos mulçumanos.
Mas como falei no início, a obviedade dos personagens, os excessos de clichês e a ausência de emoção em todos os momentos do livro, tornam o livro completamente dispensável.

Serviços: PAES FILHO, Orlando. Angus, O Guerreiro de Deus. Editora Planeta, 2004.

AS CRÔNICAS VAMPIRESCAS
A HISTÓRIA DO LADRÃO DE CORPOS

segunda-feira, 9 de janeiro de 2006




A quarta crônica vampiresca escrita por Anne Rice, se diferencia bastante das demais, por seu lado mais simples, menos pesado. “A História do Ladrão de Corpos” é muito mais uma aventura do que uma história de horror gótico como as anteriores. Rice também dá um tempo em sua complexa mitologia vampiresca e resolve abordar aqui, questões mais ligadas a imortalidade, mas sem grandes exageros existencialistas como visto posteriormente em outros escritos da autora. Seria ela realmente algo positivo? Muitos vampiros enlouquecem e se destroem quando pensam na perspectiva de uma existência infinita e é com esse pensamento e preocupações que voltamos a ter contato com o herói máximo das crônicas, o Vampiro Lestat.
A aventura começa, quando Lestat começa a ser perseguido por um estranho mortal, que parece sempre saber onde ele se encontra. Irritado com a petulância do homem, o vampiro o aborda e recebe uma estranha proposta, trocar de corpo durante 24 horas, voltando a ser mortal e sentir o que sua antiga condição pode oferecer-lhe de positivo ou negativo. Obcecado por essa idéia e sob veemente protestos do seu amigo David Talbot, ele aceita a proposta e volta a ser um homem comum. Mas nosso herói não contava com as intenções do estranho, que acaba rompendo o trato e roubando o poderosíssimo corpo do vampiro.
Nesse volume, poucos personagens já conhecidos pelos leitores das Crônicas são vistos. Temos aqui uma apresentação maior da Talamasca (grupo de estudiosos do sobrenatural) e a entrada definitiva de Talbot nesse universo.
E é justamente a amizade e o fascínio de Lestat pelo diretor geral da Talamasca, David Talbot, que apesar de estar morrendo de velhice nega sempre a tentação do Dom das Trevas (vampirismo) oferecida por Lestat, um dos pontos altos das crônicas vampirescas e a força motriz desse livro. “A História do Ladrão de Corpos” , com certeza, não é um dos melhores livros escritos por Rice, mas serve para mostrar a grande gama de possibilidades de abordagem que ela pode utilizar em seu fascinante universo.

Serviços: RICE, Anne. “The tale of the Body Thief” [Tradução: Aulyde Soares Rodrigues]. Rio de Janeiro: Rocco, 1993.

MAIS ANNE RICE NO LITERATURA FANTÁSTICA:

ENTREVISTA COM O VAMPIRO…
O VAMPIRO LESTAT…
A RAINHA DOS CONDENADOS…

HARRY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE

segunda-feira, 2 de janeiro de 2006




Fãs de todo o mundo, parem o que estiverem fazendo e se concentrem nesta resenha, pois estão prestes a ler sobre um dos melhores livros da série criada por J.K., cheio de surpresas do início ao fim.
Só para começar, esqueçam aquele Harry dos cinco últimos livros, ele mudou e mudou para melhor, finalmente o garoto compreende quem ele é e qual sua importância para o mundo bruxo, na verdade já estava na hora não é? Em o Enigma, a situação chega àquela hora em que tudo fica insustentável, a hora de tomar decisões que podem não ter volta e o leitor percebe isso logo nos primeiros capítulos quando vai poder assistir Snape fazendo um pacto mágico com nada menos que Narcisa Malfoy, isso porque Narcisa precisa da ajuda do professor para auxiliar seu filhinho Draco, num serviço encomendado pelo próprio Voldemort. Isso é o bastante, eu garanto, para não largar mais o livro, afinal de contas qual seria o tal serviço? Matar Harry Potter, Dumbledore ou outra coisa? Bom, claro que não vou estragar a surpresa, terão que ler o livro, um prazer do qual não vão se arrepender.
No sexto livro, nos deparamos com um mundo mergulhado na escuridão e na névoa, as lojas do Beco Diagonal estão quase todas fechadas, pessoas desaparecem ou morrem quase todos os dias e percebemos que o mundo bruxo e o mundo dos trouxas é muito mais ligado do que imaginávamos. Diante disso, claro que a segurança em torno de Harry é total, o próprio Dumbledore vai buscá-lo em casa para levá-lo até A Toca onde seus amigos o aguardam, daí você pode tirar a seriedade da situação. Dumbledore decide dar aulas particulares a Harry, aulas estas que são um dos pontos altos do livro, pois através delas finalmente conhecemos um pouco mais da vida do Lorde das Trevas, desde antes de nascer até se tornar o bruxo mais temido do mundo, são durante as aulas que ficamos sabendo das Horcruxes e seu papel fundamental para a sobrevivência de Você-Sabe-Quem e que também são a chave para a sua destruição. Só para dar uma dica, se você acha que nunca viu uma Horcrux ou leu sobre ela, lembra daquele diário que tanto atormentou a vida de Gina Weasley e dos demais? Muito bem, o diário era uma Horcrux e não era só um artefato que preservava a memória dos dezesseis anos de Tom Riddle, mas também uma parte da alma do mesmo, no total são sete Horcruxes, adivinha as outras seis?
Claro que, apesar de tudo o que está acontecendo, J.K. ainda arruma espaço para nos deliciar com as brincadeiras dos gêmeos Weasley e sua loja de logros, as trapalhadas de Rony, as crises de Hermione e o despertar de uma paixão, isso mesmo, Harry se apaixona e não é por nenhuma aluna de olhinhos puxados da Corvinal, é por alguém bem mais próximo dele, uma garota pela qual jamais imaginou se apaixonar…Puxa vida, já ia esquecendo algo muito importante, o tal do Príncipe! Tiago Potter? Voldemort? Sirius? Essas são hipóteses que passam pela cabeça do amadurecido Harry em busca da identidade do tal aluno que se intitula o Príncipe Mestiço e que vai ensinar tanto a ele, através de um livro de poções que cai na mão do Eleito (é assim que os jornais chamam Harry!) por puro acaso, é que o livro está cheio de anotações que vão transformar Harry Potter em um verdadeiro gênio de Poções o que chama a atenção de seu antigo professor dessa disciplina, Snape…Opa! Antigo professor de poções? Acreditem se quiser, mas Snape deixa de ensinar essa disciplina para se dedicar ao que mais queria ensinar…Defesa Contra as Artes das Trevas (DCAT para os íntimos).
Está aí, esse é o cenário do sexto ano em Hogwarts e muitas outras coisas que eu não comentei vão fazer você rir, chorar, vibrar e se assustar, preparem-se para mais um ano cheio de aventuras e ação, onde você vai ter a oportunidade de lutar lado com Harry, Rony e Hermione contra Comensais da Morte, Lobisomens e “Traidores”.

- “Não se preocupe professor!”
- “Não estou preocupado, Harry, eu estou com você.”

Bom Divertimento!

Para mais Harry Potter no L.F., clique aqui: O MUNDO MÁGICO DE HARRY POTTER… .