Arquivo de dezembro de 2005

VAGALUME

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

Independente do ‘gosto’ pela leitura, quem viveu sua infância ou pré-adolescência nos anos 80 (embora a coleção, acrescida de novos títulos – descobri através do meu afilhado - ainda seja vendida e utilizada em escolas até os dias de hoje) com certeza deve se lembrar da famosa série “vaga-lume”, publicada pela editora Ática. Livros como “Um cadáver ouve rádio”, “O escaravelho do diabo”,“Sozinha no mundo”,“Enigma na Televisão”,“Barcos de papel”, “Spharion”, etc., povoaram o imaginário dos “infantes/juvenis”, senão por opção, por obrigação de leitura escolar, como livro ‘paradidático’ (nomezinho feio!rs).

A maior parte dos livros foi escrita nos anos 70, mas teve seu ápice na década de 80, quando passamos a conhecer os excelentes livros de autores como Marcos Rey, Lúcia Machado de Almeida, Maria José Dupré, entre outros, que criaram histórias maravilhosas (fantasia ou não) com personagens que povoavam a nossa imaginação, envolvidos nas mais diversas situações, criadas pela mente criativa de seus autores. Todos os livros vinham acompanhados de um ‘folheto’, no melhor estilo “interpretação de texto” (lembram da “matéria” que fazia parte da disciplina de português? rs) formulado de maneira criativa e muito interessante.

A série “vaga-lume”, sem dúvida alguma, é um marco na literatura brasileira direcionada ao público jovem,mas que fez (e faz) sucesso junto a qualquer idade. Num site dedicado à todas as vertentes literárias, que fique registrada essa singela homenagem à uma coleção, que colaborou, e muito, no desenvolvimento da minha (e de muitos outros) paixão pela leitura!

A RAINHA DOS CONDENADOS

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

Esse é na minha opinião um dos melhores livros das crônicas vampirescas. Aqui, a escritora Anne Rice, no ápice de seu brilhantismo, apresenta-no a toda mitologia dos sugadores de sangue. A junção de um espírito que aprendeu a gostar de sangue com uma pessoa a beira da morte, levou a origem dessas criaturas. O pai e a mãe de todos os vampiros são apresentados vindos de um Egito pré-faraônico, antes da união entre baixo e alto Egito e construção das pirâmides. Em um período em que tribos canibais matriarcais também povoavam a região.

A Rainha dos Condenados também é o livro onde ocorre a maior expansão do universo criado por ela. Além de apresentados a Talamasca e a própria origem dessas criaturas sobrenaturais, somos apresentados a diversos novos personagens, que se tornaram presenças constantes em outros livros das crônicas vampirescas, como Pandora, as gêmeas Mekare e Maharet, David Talbot, Jesse Reeves, Santino, Kayman, entre outros.

Mas meu destaque maior vai para a criação da espetacular Talamasca, grupo de estudiosos do paranormal que tem como lema: Observar, sem nunca interferir. E é exatamente isso, que na minha opinião, torna esse grupo tão interessante. A história da ordem é aprofundada em vários outros livros das crônicas, e na história das bruxas Mayfair.

Rainha dos Condenados, é uma continuação direta do Vampiro Lestat, o final de um é o início de outro e vice-versa. O rebelde Lestat, com sua música, tira Akasha, mãe de todos os vampiros de um sono de milhares de anos. Despertada, a mãe inicia uma terrível saga embebida de insanas idéias entre elas a de destruição da quase totalidade dos homens na terra, com a justificativa de que os homens seriam os responsáveis diretos por todos os males existentes no mundo (guerras, fome etc), e sem eles, esses males encerrariam e seria dado inicio a um próspero período de paz, onde a nova raça humana deveria idolatrar apenas a Akasha, como sua Rainha e a Lestat, como seu consorte.

Para evitar isso, os mais antigos e poderosos vampiros da terra se reúnem com o intuito de evitar que isso ocorra. Mas será que eles conseguirão? E como destruir a mãe de todos os vampiros sem que ocorra a própria destruição de toda a raça?

Mesclando uma aventura de tirar o fôlego, com forte pitadas do mais envolvente mistério e terror, com personagens fortes e tridimensionais (ela sempre teve a preocupação de dar vida aos seus personagens, o que para alguns pode tornar o livro um pouco cansativo, nos momentos em que ela conta as suas histórias) , Anne Rice cria um dos melhores livros do estilo que já li até hoje.

Serviço: RICE, Anne. A Rainha dos Condenados. “The Queen of the Damned”. [Tradução de Eliana Sabino]. 5ª Edição, Editora Rocco, 2000.

ROBERT LUDLUM: O CAMINHO PARA OMAHA
A criação de um Dom Quixote pós-moderno

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

Mais um excelente livro do escritor norte-americano Robert Ludlum. “O Caminho para Omaha” é mais uma história protagonizada pelos hilários ex-General Mackenzie “louco” Hawkins e seu fiel e forçado escudeiro, o genial e amalucado advogado Sam Devereaux.

No primeiro livro com participação desses personagens (Estrada para Gandolfo, com resenha já aqui publicada), acompanhamos a tentativa do General, com o apoio forçado de Devereaux, a grande ajuda de suas quatro ex-esposas e um grupo de mercenários, com o intuito de realizar o maior seqüestro de toda a história, nada mais, nada menos que a maior figura da Igreja Católica, o Papa.

Aí, na minha opinião Ludlum teria um grande obstáculo, já que depois de um plano como esse, dificilmente ele inventaria uma aventura melhor, ou pelo menos tão boa quanto a primeira. Ainda bem que eu estava enganado, pois a trama desse segundo livro é ainda mais louca e divertida. O General Mackenzie, cerca de dois anos após ter sido chutado do exército pelo governo americano (mesmo tendo sido condecorado duas vezes), bola seu maior plano de ataque. Através de documentos encontrados em um obscuro arquivo, Hawkins encontra um erro cometido há mais de 100 anos, que pode fazer o Governo Norte-Americano perder para a pequena e desaculturada tribo indígena dos Wopotami, quase toda a região de Omaha, em Nebraska. Aí você pode me perguntar, e daí? E daí que em Omaha se encontra o imponente edifício-sede do Comando Aéreo Estratégico dos E.U.A., trocando em miúdos, a primeira linha de defesa do país e fonte de enriquecimento para diversas mega empresas de alta tecnologia. Realmente, Ludlum se supera aqui, colocando seu General em um confronto direto contra o próprio governo que o abandonou em plena China comunista.

É gostosíssimo acompanhar mais uma vez a trajetória desses fantásticos personagens. Sam Devereaux, que ainda sofre bastante devido ao desfecho de sua primeira aventura com o general. Novos personagens, como os truculentos e bobalhões Desi-Um e Desi-Dois, que de ladrões, passam a soldados do “Louco” Mackenzie. Aaron Pinkus, brilhante advogado e chefe de Sam, peça fundamental na estratégia WopotamiXGoverno dos E.U.A.. Jennifer Redwing, brilhante e linda advogada, filha do povo indígena e questão e mais uma envolvida na trama do General. O próprio Mackenzie Hawkins, que continua com todas suas sobrenaturais habilidades, incluindo aí a idolatria de todos os veteranos da segunda guerra mundial que pelo menos ouviram falar em seu nome.

Some a esses personagens uma trama que envolve desde a máfia americana controlada por um dos chefões da CIA, até um grupo anti-terrorista, composto por atores, que nunca disparou sequer um tiro, mas sempre cumpriu todas as suas missões com o mais puro e completo êxito.

Mais um livro indispensável de Robert Ludlum!!!

Serviço: LUDLUM, Robert. O Caminho Para Omaha “The Road To Omaha”. [Tradução de Haroldo Netto]. Rocco, 1993.

O Divertidíssimo diário íntimo de Mario Prata: MINHAS TUDO

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

Quando há alguns anos atrás, meu pai (um verdadeiro ‘apaixonado’ pela literatura brasileira e por todos os seus gêneros) entregou-me, empolgadíssimo, diga-se de passagem,essa obra para ler (“Minha filha,você vai adorar”) confesso que pensei em algo constantemente criticado por mim quando observado em outras pessoas, isto é, pré-julgamento de algo que desconhecemos. Eu realmente nunca tinha lido um livro SÓ de crônicas (no máximo lia algumas no jornal dominical). Hoje, já decorrido algum tempo, percebo que cometi um grande erro… pelo menos no que tange às crônicas desse excelente escritor.

Mario Prata, mineiro de Uberaba – Minas Gerais (“coincidentemente” conterrâneo do meu pai,rs), é jornalista, roteirista e escritor. É considerado um dos melhores cronistas do cotidiano brasileiro. Segundo ele, um de seus maiores divertimentos é compartilhar com seus leitores o próprio ofício e tudo o que existe em torno dele. Dessa forma escreveu “Minhas vidas passadas a limpo”, “Minhas mulheres e meus homens” e o maravilhoso e aqui descrito “Minhas Tudo”.

Na referida obra, Mario Prata nos apresenta uma descrição pormenorizada de algumas “coisas” (isso mesmo…”coisas”), tais como alguns objetos (roupa, guarda-chuva, livros,etc) e também circunstâncias e até mesmo “estado de espírito” que fazem parte de nosso dia a dia e que, “por um mero acaso”, acabaram criando situações marcantes e muito, mas muito engraçadas, ou até “tragicômicas” (dentro das possibilidades de interpretar essa palavra,rs). Contudo, hei de ressaltar, não é a isso que se resume este livro. O autor também nos descreve algumas situações (tais como “encontros familiares”) onde não há como não se identificar com determinadas ‘observações’ dele. É impressionante a riqueza de detalhes e a capacidade de enxergar além daquilo que se vê, a qual ele imprime no de correr de suas narrativas. Há algumas simplesmente emocionantes, tal como “minhas separação”, onde ao começar a ler, cria-se a errônea impressão de uma história da separação de um casal, discutindo “quem vai ficar com o que”. Porém, ao longo da narrativa, percebe-se que a “separação”, na verdade, é entre pai e filho, quando o primeiro resolve ir morar em outro apartamento, de forma a dissolver um pouco o “subtendido” conflito de gerações. Após discorrer algumas discussões divertidas sobre essa separação, Mario Prata nos arrebata com um final belíssimo e contundente, sobre o sentimento (seja lá por qual motivo seja) de separar-se (mesmo que só no pequeno espaço em que se vive – casa) de quem se ama muito.

A crônica “minhas homoternurismo” (termo criado pelo autor e que, segundo ele, para sua infelicidade, não foi incorporado ao “Aurélio”) segue um caminho diferente. Quando começamos a ler, somos levados à “sensatas” reflexões sobre o que ele escreve. Entretanto, de forma impressionante, ao final da crônica, somos levados às lágrimas… de tanto rir!

Com todos esses elementos, “Minhas tudo” é um livro sensacional e de um autor espetacular. E conforme descrito na contracapa da obra “.. é um gesto que fica, que nos constrói e nos diverte…muito”. Vale a pena ler!

Serviços: PRATA, Mario – “Minhas tudo” – Editora Objetiva, RJ.

MR. MORRIE-ADORÁVEL PROFESSOR

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

Ex-universitário que só vive para o trabalho reencontra após 16 anos seu velhor professor no leito de morte, e juntos aprenderão o valor inestimável da vida.Clichê? Sim. Mas quem disse que a vida não é feita de clichês. A prova é esse livro, que é um achado.

A última grande lição: o sentido da vida, não tem a dura intenção de ser um romance literário, é muito mais uma singela homenagem do autor, Mitch Albom, ao seu professor de Sociologia na faculdade, Morrie Shwartz. Uma belíssima e emocionante homenagem.

Durante catorze terças-feiras o antes aplicado aluno Mitch Albom, conversa com o professor que o marcou profundamente nos tempos de universidade, até a morte deste. Nesses mais de três meses de encontros os dois dialogam, sem muitas pretensões filosóficas, e sim de forma simplória, sobre as coisas essenciais da vida.

Um excelente livro para se ganhar de presente de uma grande amiga ou amigo.

Serviço: Albom, Mitch. A última grande lição o sentido da vida; tradução de José J. Veiga. 21 ed. Rio de Janeiro:Sextante,1998.