O QUARTO K
Acho que esse é o terceiro ou quarto livro que leio escrito pelo excelente Mario Puzo. O melhor deles ainda é de longe o clássico O Poderoso Chefão. Mas esse com certeza é um dos melhores livros que ele já publicou.
Ambientado em um futuro não tão distante e não tão impossível (trocando apenas o Kennedy por outro qualquer), Puzo nos coloca dentro de uma trama violenta, perigosa e o pior de tudo, com exceção de alguns exageros que a própria obra permite, possível.
Não tem como não notar uma pequena semelhança entre Francis Xavier Kennedy e William W. Bush, mesmo sabendo que quando o livro foi escrito (1990), Bush filho ainda ia demorar um pouco para ser o “dono do mundo”.
Puzo escreve seu livro baseado em todo contexto que estava vivendo, e acredito eu, incluindo a própria guerra do Iraque (a de 1990, claro). Terrorismo, capitalismo, poder aparentemente ilimitado das grandes corporações, ameaça nuclear, fragilidade da vida, manipulação de fatos pela mídia e principalmente, a facilidade do advento do totalitarismo apoiado pelo próprio “povo” como forma de patriotismo, pois geralmente, “o povo” não percebe a importância do seu direito de opinar e seu dever de participar, delegando todas as suas responsabilidades nas mãos de outros, que no final das contam não governam para quem vota, e sim para quem tem mais dinheiro. Isso é fato, seja na vida real ou em uma realidade fictícia como é o caso dessa criada por Mario Puzo.
O livro nos leva a momentos repletos de tensão, nos fazendo mudar constantemente de opinião sobre o desenrolar da trama. Mas se no início, Puzo arrisca e acerta em cheio através do impacto de dois terríveis assassinatos, erra feio em tentar fazer um final Disney, onde tudo acaba da mesma forma que começou, servindo apenas como um alerta através de uma lição de moral. Disso eu não gostei.
Uma leitura que com certeza vale muito a pena.
Serviços: PUZO, Mario. O Quarto K. Editora Record. Rio de Janeiro, RJ.